Mulheres
duas camas, cortinas, televisão e uma banheira.…
duas camas, cortinas, televisão e uma banheira. Parecia ser um quarto de motel. Levantei-me e abri a porta. Lá fora havia neve e gelo. Fechei a porta e olhei em volta. Não havia explicação. Não fazia ideia onde me encontrava. Estava com uma terrível ressaca e deprimido. Agarrei no telefone e pedi uma chamada para Los Angeles, para o número de Lydia.
«Querida, não sei onde estou!»
«Pensava que tinhas ido para Kansas City!»
«E vim. Mas agora não sei onde estou, percebes? Abri a porta e olhei e não vi senão estradas geladas, gelo, neve!»
«Onde é que ficaste alojado?»
«A última coisa de que me lembro é que eu tinha um quarto no dormitório das mulheres.»
«Bem, tu provavelmente fizeste uma asneira e puseram-te num motel. Não te preocupes. Alguém irá cuidar de ti.»
«Meu Deus, tu não te preocupas com a minha situação?»
«Fizeste uma asneira, com certeza. Geralmente, fazes sempre asneiras.»
«O que queres dizer com ”geralmente sempre”?»
«Não passas dum bêbedo nojento», disse Lydia. «Toma um banho quente.»
Desligou.
Dirigi-me para a cama e estendi-me. Era um bonito quarto de motel, mas faltava-lhe personalidade. Preferia ficar chateado do que tomar um banho. Pensei em ligar a televisão.
Por fim, adormeci...
Bateram à porta. Lá fora estavam dois jovens muito catitas, prontos a levarem-me para o aeroporto. Sentei-me na borda da cama para me calçar.
«Temos tempo para meter um ou dois no bar do aeroporto antes da partida?», perguntei.
«Claro, Mr. Chinaski», disse um deles, «tudo o que quiser.»
«OK», disse eu. «Então vamo-nos pirar daqui.»
30