Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 15 de 247

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Mulheres

da sobre outro silvado, que estava a…

da sobre outro silvado, que estava a morrer. Descemos a colina e deixámos Echo Park em direcção a Hollywood Boulevard.

Entrámos para o carro. Arrancámos e descemos de Hollywood para oeste, em direcção a Vermont.

«Sabes como chamamos a gajos como tu?»

«Não.»

«Chamamos arrasa-festas.»

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Começámos a descer sobre Kansas City, o piloto disse que a temperatura era de vinte graus abaixo de zero e eu encontrava-me de casaco e camisa desportivos, calças leves e sapatos de Verão, sem esquecer os buracos nos sapatos. Assim que aterrámos e parámos junto da rampa de desembarque, toda a gente agarrava em sobretudos, luvas, chapéus e cachecóis. Deixei que todos saíssem antes de me abalançar para as escadas. Lá estava Frenchy, que me esperava encostado a uma parede. Frenchy ensinava Arte Dramática e coleccionava livros, sobretudo os meus. «Bem-vindo a Kansas City, Chinaski!», disse ele estendendo-me uma garrafa de tequilha. Dei uma grande golada e segui-o até ao parque de estacionamento. Eu não trazia bagagem, a não ser uma pasta cheia de poemas. Dentro do carro estava quente e agradável e passávamos a garrafa entre nós.

As estradas estavam cobertas de neve.

«Não é toda a gente que pode guiar sobre esta puta de neve», disse Frenchy. «Tem de se saber o que se está a fazer.»

Abri a pasta e comecei a ler a Frenchy um poema que Lydia me tinha dado no aeroporto:

«... o teu caralho púrpura inclinado como um...»

«... quando eu espremo as tuas borbulhas, jactos de pus como esperma...»

«Oh! MERDA!», bramiu Frenchy. O carro deu um pião. Frenchy agarrou-se ao volante.

«Frenchy», disse eu, agarrando na garrafa de tequilha e dando um trago, «não vamos conseguir lá chegar.»

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Saímos da estrada e caímos num fosso com um metro que separava as duas vias da auto-estrada. Passei-lhe a garrafa.

Saímos do carro e trepámos o fosso. Pedimos boleia enquanto partilhávamos o que ainda restava na garrafa. Por fim, parou um carro. Um tipo com os seus vinte e cinco anos, bêbedo, estava ao volante.

«Para onde vão?»

«Para uma leitura de poesia», respondeu Frenchy.

«Leitura de poesia?»

«Sim, na Universidade.»

Ele era vendedor de bebidas alcoólicas. O assento de trás do seu carro estava apinhado de caixas de cerveja.

«Bebam uma cerveja», disse ele, «e dêem-me também uma.»

Chegámos. Levou-nos até ao centro do campus e estacionou no relvado em frente ao auditório. Estávamos atrasados apenas quinze minutos. Saí, vomitei, e entrámos os três. Parámos para comprar uma garrafa de vodka que me havia de ajudar na leitura.

Li durante vinte minutos, e pousei os poemas. «Esta merda chateia-me», disse, «falemos uns com os outros.»

Acabei por gritar coisas para a audiência, e eles respondiam-me do mesmo modo. A audiência não era má. Eles faziam aquilo de boa vontade. Ao fim de meia hora, dois professores tiraram-me da sala. «Temos um quarto para si, Chinaski», disse um deles, «no dormitório das mulheres.»

«No dormitório das mulheres?»

«Exactamente, um quarto óptimo.»

... Era verdade. No terceiro andar. Um dos professores tinha trazido uma garrafa de whisky. O outro deu-me um cheque pela leitura e pelo bilhete de avião. Sentámo-nos a beber o whisky e conversámos. Perdi os sentidos. Quando retomei a consciência, todos tinham partido, e ainda havia metade do whisky. Fiquei ali a beber e a pensar, eh, tu és Chinaski, a lenda Chinaski. Tens uma imagem. E agora estás no dormitório das mulheres. Centenas de mulheres entre estas paredes, centenas.

Tinha apenas vestidos os meus calções e meias. Saí para o corredor e dirigi-me para a porta mais próxima. Bati.

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