Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 25 de 247

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Mulheres

«Eu quero um bebé agora!»

«Vamos esperar.»

«Tudo o que fazemos é dormir, comer, passear e fazer amor. Parecemos lesmas. Chamo a isto amor lesma.»

«Eu gosto.»

«Dantes escrevias aqui. Estavas ocupado. Trazias tinta e fazias desenhos. Agora vais para casa e fazes lá todas as coisas interessantes. Aqui só comes e dormes, e vais-te logo embora de manhã. E embrutecedor.»

«Eu gosto.»

«Há meses que não vamos a uma festa! Eu gosto de ver pessoas! Estou fartai Tão farta que hei-de enlouquecer! Eu quero fazer coisas! Quero dançar! Eu quero viver!»

«Oh, merda.»

«Estás demasiado velho. Só queres estar sentado e criticar tudo e todos. Não queres fazer nada. Nada é bom para ti!»

Rolei sobre a cama e levantei-me. Comecei a enfiar a camisa.

«O que estás a fazer?», perguntou-me.

«Vou-me pôr a andar.»

«Lá estás tu outra vez! Desde que as coisas não corram como tu queres, pulas e corres porta fora. Nunca queres falar sobre as coisas. Vais para casa, embebedas-te e no dia seguinte estás tão doente que julgas que vais morrer. Então, telefonas-me!»

«Vou-me embora desta merda!»

«Mas porquê?»

«Não quero ficar onde não sou desejado. Não quero ficar quando sinto que não gostam de mim.»

Lydia esperou. Depois disse: «Está bem. Anda, deita-te. Apagamos a luz e ficamos juntos».

Eu esperei. Depois disse: «Bem, está bem».

Despi-me completamente antes de me enfiar nos lençóis. Encostei o meu flanco contra o de Lydia. Estávamos os dois de costas. Eu ouvia os grilos. Era uma óptima vizinhança. Passaram-se alguns minutos. Disse então Lydia: «Vou ser célebre».

Não respondi. Passaram-se alguns minutos mais. Lydia saltou para fora da cama. Ela estava nua. Lançou as duas mãos em

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