Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 85 de 247

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Mulheres

«No outro dia, a mulher saiu não…

«No outro dia, a mulher saiu não sei para onde, e o cabrão convidou-me para lá ir. Fui lá, sentei-me, e sabes o que aconteceu?»

«Tirou-a cá para fora?»

«Não, projectou filmes pornográficos. Pensou que aquilo me excitava.»

«E não te excitou?»

«Eu disse: Mr. Miller, tenho de ir agora. Tenho de ir buscar a Dancy à escola.»

Tammie deu-me uma anfetamina. Falámos muito. E bebemos cerveja.

Às seis horas da manhã Tammie abriu o sofá onde estávamos sentados. Havia um cobertor. Tirámos os sapatos e instalámo-nos sobre o cobertor completamente vestidos. Abracei-a por trás, o meu corpo mergulhado em todo aquele cabelo ruivo. Entesei-me. Enfiei-o por trás, através da roupa. Ouvi as suas unhas cravarem-se na borda do sofá.

«Tenho de ir», disse eu.

«Olha, só tenho de preparar o pequeno-almoço para a Dancy e levá-la à escola. Não há problema se ela te vir. Espera aqui até eu voltar.»

«Não, vou andando.»

Dirigi-me a casa, bêbedo. O sol já estava alto, doloroso e amarelo...

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Há vários anos que eu dormia num horrível colchão, cujas molas me magoavam. Nessa tarde, quando acordei, tirei o colchão da cama, arrastei-o para fora de casa e encostei-o ao caixote do lixo.

Entrei em casa e deixei a porta aberta.

Eram duas horas da tarde e fazia calor.

Tammie entrou e sentou-se no sofá.

«Tenho de sair», disse-lhe eu. «Tenho de sair para ir comprar um colchão.»

«Um colchão? Bem, então vou-me embora.»

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«Não. Tammie, espera. Por favor. Levo cerca de quinze minutos. Espera aqui e bebe uma cerveja.» «Está bem.»

A três quarteirões de minha casa, em Western Avenue, havia uma loja de reparações de colchões. Parei em frente à loja e entrei a correr.

«Amigos! Preciso de um colchão... DEPRESSA!»

«Para que género de cama?»

«Cama de casal.»

«Temos este por trinta e cinco dólares.»

«Fico com ele.»

«Consegue levá-lo no seu carro?»

«Tenho um Volks.»

«Então levamo-lo nós. Qual é a direcção?»

Quando regressei, Tammie ainda lá estava.

«Onde está o colchão?»

«Está a chegar. Bebe outra cerveja. Tens um comprimido?»

Deu-me uma anfetamina. A luz reflectia através dos seus cabelos ruivos.

Tammie tinha sido eleita Miss Sunny Bunny na feira agrícola de Orange, em 1973. Tinham-se passado quatro anos, mas ainda tinha charme. Ela era grande e roliça nos sítios certos.

O homem das entregas era uma boa alma. Ajudou-me a colocar o colchão na cama. Ele viu Tammie sentada no sofá. Sorriu-se. «Olá», disse para ela.

«Muito obrigado», disse-lhe. Dei-lhe três dólares e foi-se embora.

Fui ver o colchão na cama. Tammie seguiu-me. O colchão estava embrulhado em celofane. Comecei a arrancá-lo. Tammie deu-me uma ajuda.

«Olha como é bonito», disse Tammie.

«É, sim.»

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