Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 112 de 247

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Mulheres

escritores têm uma confiança inabalável neles próprios.…

escritores têm uma confiança inabalável neles próprios. Em todo o caso, os escritores são uma raça a evitar, eu tento evitá-los, mas é quase impossível. Eles têm esperança numa espécie de fraternidade, numa espécie de conivência. Nenhum deles tem a ver com a escrita, nenhum deles é útil frente a uma máquina de escrever.

«Eu joguei boxe com o Clay antes de se ter tornado Ali», disse Morse. Dava murros no ar, a dançar. «Ele era muito bom, mas eu dei-lhe um murro.»

A sombra de Morse lutava no quarto.

«Olha para as minhas pernas! Tenho pernas formidáveis!»

«O Hank tem melhores pernas do que tu», disse Tammie.

Tornando-me num especialista de pernas, concordei.

Morse sentou-se. Apontou com uma cerveja para Sadie. «Ela trabalha como enfermeira. Sustenta-me. Mas um dia hei-de conseguir. Hão-de ouvir falar de mim.»

Morse não havia de precisar nunca de um micro para as suas leituras.

Olhou para mim. «Chinaski, és um dos dois ou três melhores poetas vivos. Tu conseguiste. Escreves com garra. Mas eu também hei-de lá chegar! Deixa-me ler-te as minhas merdas. Sadie, passa-me os poemas.»

«Não», disse eu, «espera! Não quero ouvi-los.»

«Porquê, meu? Porque não?»

«Já houve demasiada poesia esta noite, Morse. Só me apetece estender-me e esquecer tudo isto.»

«Pronto, está bem... Escuta, nunca respondeste às minhas cartas.»

«Não sou snob, Morse. Mas eu recebo 75 cartas por mês. Se eu respondesse a todas, passava o tempo nisso.»

«Aposto que respondes às mulheres.»

«Isso depende...»

«Está bem, meu, não fico ferido. Continuo a gostar das tuas coisas. Talvez eu nunca seja famoso, mas penso que hei-de ser e acho que ficarás contente por me teres encontrado. Anda, Sadie, vamos...»

Acompanhei-os à porta. Morse agarrou-me na mão. Não a

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