Mulheres
vantei-lhe um pouco a saia e olhei…
vantei-lhe um pouco a saia e olhei de soslaio para aquelas pernas cobertas de nylon. Foi óptimo. Quando acabámos de nos beijar, ela voltou a puxar a saia para baixo, mas eu já tinha fixado as suas pernas. Ela levantou-se para ir à casa-de-banho. Ouvi o barulho da água. Depois houve uma pausa. Ela devia estar a por mais bâton. Eu tirei o lenço e limpei a boca. O lenço ficou manchado de vermelho. Eu estava finalmente a ter tudo aquilo que os rapazes no liceu tinham tido, os engraçados, ricos e bem vestidos meninos de ouro, com os seus carros novos, eu com velhas e desmazeladas roupas e a minha bicicleta a cair aos pedaços.
Debra voltou. Sentou-se e acendeu um cigarro.
«Vamos foder», disse eu.
Debra dirigiu-se para o quarto. Havia metade de uma garrafa de vinho por cima da mesa de café. Servi um copo e acendi um dos seus cigarros. Ela tirou o disco de rock.
Estava tudo silencioso. Servi-me doutro copo. Havia de mudar-me para cá? Onde punha a máquina de escrever?
«Henry?»
«O quê?»
«Onde estás?»
«Espera. Só quero acabar de beber.»
«Está bem.»
Acabei o copo e deitei o que restava na garrafa. Eu estava em Playa dei Rey. Despi-me, deixando a roupa de qualquer maneira sobre o sofá. Nunca gostei muito de vestir bem. Odiava lojas de roupas, os empregados julgavam-se superiores, parecia que conheciam o segredo da vida, tinham uma confiança que eu não tinha. Os meus sapatos estavam sempre num estado lamentável, velhos; também odiava sapatarias. Nunca comprava nada antes de as coisas ficarem inutilizáveis, incluindo os automóveis. Não era uma questão de economia, eu não suportava ser um comprador com necessidades de ter um vendedor bem arranjado, distante e superior. E depois tudo isso levava tempo, tempo em que podia estar deitado ou a beber.
Dirigi-me para o quarto em calções. Estava consciente da minha barriga branca que saía por cima dos calções. Não fiz
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