Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 198 de 247

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Mulheres

voltar, pelo menos tão cedo. Ia continuar…

voltar, pelo menos tão cedo. Ia continuar a sentir-me culpado e desprotegido. Tentei convencer-me que essa culpa era uma doença como outra qualquer. Que eram homens sem culpas que faziam avançar o mundo. Homens que sabiam mentir, enganar, homens que conheciam todos os atalhos. Cortez. Não andou por aí a foder. Nem Vince Lombardi. Mesmo que pensasse muito nisso, continuava a sentir-me mal. Decidi enfrentar tudo. Estava preparado. O confessionário. Voltaria a ser católico. Entra-se, fala-se, sai-se e depois espera-se pelo perdão. Acabei o vinho e liguei para o escritório de Debra.

Tessie atendeu. «Olá, miúda! É o Hank! Como vai isso?»

«Está tudo bem, Hank. E tu?»

«Também. Escuta, não estás chateada comigo, pois não?»

«Não, Hank. Foi um pouco grosseiro, ah, ah, ah, mas foi divertido. É o nosso segredo.»

«Obrigado. Sabes, eu de facto não sou...»

«Eu sei.»

«Bem, escuta, eu queria falar com Debra. Ela está aí?»

«Não, está no tribunal, a transcrever.»

«Quando é que ela volta?»

«Geralmente, quando ela vai ao tribunal, nunca regressa ao escritório. Queres deixar algum recado, no caso de ela passar por aqui?»

«Não, Tessie, obrigado.»

Assim foi. Nem consegui reparar os meus erros. Obstrução de confissão. Falta de comunicação. Eu tinha inimigos bem colocados.

Bebi outro copo de vinho. Estava decidido a pôr tudo a limpo e a acabar com tudo. Agora estava ali sentado. Sentia-me cada vez pior. Depressão, suicídio, são muitas vezes a consequência duma dieta a sério. Mas eu tinha comido bem. Lembrei-me dos velhos tempos, em que vivia só com uma barra de chocolate por dia, a enviar histórias manuscritas para a Atlantic Monthly e para a Harfers.

Não pensava senão em comida. Se o corpo não se alimentasse, a alma também morria. Mas depois comi e bebi bem. Quer dizer que eu andava, provavelmente, a pensar verdade.

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