Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 199 de 247

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Mulheres

Toda a gente se imagina especial, privilegiada,…

Toda a gente se imagina especial, privilegiada, isenta. Mesmo a velha horrível que regava os gerânios na varanda. Eu achei-me excepcional porque abandonei a fábrica aos cinquenta anos para me tornar poeta. Merda. Por isso eu cagava-me para toda a gente, tal como aqueles patrões haviam cagado em mim quando eu estava desamparado. Era a mesma coisa. Eu não passava dum íbdilhão estragado pelo álcool, com muito pouca fama.

A minha análise não me impediu de continuar a sofrer.

O telefone tocou. Era Sara.

«Disseste que telefonavas. O que aconteceu?»

«Ela não estava lá.»

«Não estava lá?»

«Está no tribunal.»

«O que vais fazer?»

«Vou esperar. E contar-lhe tudo.»

«Muito bem.»

«Eu não devia ter-te metido nesta merda.»

«Não faz mal.»

«Quero voltar a ver-te.»

«Quando? Depois da dançarina?»

«Bem, sim.»

«Obrigada, mas não.»

«Eu telefono-te...»

«Está bem. Vou buscar as tuas fraldas à lavandaria para que estejam prontas quando vieres.»

Bebia vinho quente enquanto esperava. Três, quatro, cinco horas. Por fim lembrei-me que tinha de me vestir. Estava sentado, com o copo na mão, quando o carro de Debra estacionou em frente da casa. Ela abriu a porta. Trazia um saco com artigos de mercearia. Estava muito bonita.

«Olá!», disse ela. «Como vai o meu ex-beberrolas?»

Dirigi-me a ela e abracei-a. Comecei a tremer e a chorar.

«Hank, o que se passa?»

Debra deixou cair o saco ao chão. O nosso jantar. Agarrei-a

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