Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 3 de 247

Páginas do PDF

Mulheres

Sai do teu escuro buraco, velho anão

Sai, velho anão,

Sai do teu escuro buraco, velho anão

Sai connosco para a luz do sol e

Deixa-nos pôr margaridas nos teus cabelos...

O poema continuava, e dizia como me sentiria bem a dançar nos prados com pardas criaturas fêmeas, que me trariam a alegria e o verdadeiro conhecimento. Arrumei a carta na gaveta da cómoda.

No outro dia, de manhã, fui acordado por alguém que batia no vidro da minha porta de entrada. Eram dez e trinta.

«Vá-se embora», disse eu.

«E a Lydia.»

«Está bem. Espera um minuto.»

Vesti uma camisa e umas calças antes de abrir a porta. Depois corri para a casa-de-banho e vomitei. Tentei lavar os dentes mas não consegui senão vomitar mais - o adocicado do dentífrico revolveu-me o estômago. Saí.

«Estás doente», disse Lydia. «Queres que me vá embora?»

«Oh, não, estou bem. Acordo sempre neste estado.»

Lydia parecia estar bem. A luz filtrada pelas cortinas iluminava-a. Ela tinha uma laranja na mão e lançava-a ao ar. A laranja rodopiava na luz da manhã.

«Não posso ficar», disse ela, «mas quero pedir-te uma coisa.»

«Diz lá.»

«Sou escultora. Gostava de esculpir a tua cabeça.»

«Está bem.»

«Terás de ir a minha casa. Não tenho estúdio. Teremos de fazer isso em minha casa. Isso não te aborrece, pois não?»

«Não.»

Anotei a sua morada e instruções sobre como lá chegar.

«Tenta lá estar pelas onze da manhã. As crianças chegam da escola a meio da tarde e distraem-nos.»

«Lá estarei às onze», respondi-lhe.

/;