Mulheres
Sai do teu escuro buraco, velho anão
Sai, velho anão,
Sai do teu escuro buraco, velho anão
Sai connosco para a luz do sol e
Deixa-nos pôr margaridas nos teus cabelos...
O poema continuava, e dizia como me sentiria bem a dançar nos prados com pardas criaturas fêmeas, que me trariam a alegria e o verdadeiro conhecimento. Arrumei a carta na gaveta da cómoda.
No outro dia, de manhã, fui acordado por alguém que batia no vidro da minha porta de entrada. Eram dez e trinta.
«Vá-se embora», disse eu.
«E a Lydia.»
«Está bem. Espera um minuto.»
Vesti uma camisa e umas calças antes de abrir a porta. Depois corri para a casa-de-banho e vomitei. Tentei lavar os dentes mas não consegui senão vomitar mais - o adocicado do dentífrico revolveu-me o estômago. Saí.
«Estás doente», disse Lydia. «Queres que me vá embora?»
«Oh, não, estou bem. Acordo sempre neste estado.»
Lydia parecia estar bem. A luz filtrada pelas cortinas iluminava-a. Ela tinha uma laranja na mão e lançava-a ao ar. A laranja rodopiava na luz da manhã.
«Não posso ficar», disse ela, «mas quero pedir-te uma coisa.»
«Diz lá.»
«Sou escultora. Gostava de esculpir a tua cabeça.»
«Está bem.»
«Terás de ir a minha casa. Não tenho estúdio. Teremos de fazer isso em minha casa. Isso não te aborrece, pois não?»
«Não.»
Anotei a sua morada e instruções sobre como lá chegar.
«Tenta lá estar pelas onze da manhã. As crianças chegam da escola a meio da tarde e distraem-nos.»
«Lá estarei às onze», respondi-lhe.
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