Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 74 de 247

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Mulheres

«Não consigo parar de escrever, é uma espécie de loucura.»

Katherine veio sentar-se ao meu lado, no sofá. Ela mais parecia uma adolescente do que uma mulher. Pousei o copo para a beijar, um longo e voluptuoso beijo. Os seus lábios eram doces e frescos. Os seus cabelos ruivos fascinavam-me. Separei-me para servir outro copo. Ela baralhava-me. Ela baralhava-me. Eu estava habituado a desprezar prostitutas bêbedas.

Conversámos mais uma hora. «Vamos dormir», disse eu, «estou cansado.»

«Está bem. Vou-me preparar primeiro.»

Continuei sentado, a beber. Precisava de beber mais. Ela era de facto incrível.

«Hank, já estou na cama.»

Fui despir-me à casa-de-banho, lavar os dentes, a cara e as mãos. Ela fez todo este caminho, do Texas, pensei, tomou o avião unicamente para me ver, e agora está na minha cama, espera-me.

Não pus o pijama. Fui para a cama. Ela estava em camisa de noite. «Hank, temos mais ou menos seis dias de segurança à nossa frente, depois teremos de pensar noutra coisa.»

Entrei para a cama. A pequena rapariga-mulher estava pronta. Puxei-a para cima de mim. A sorte estava de novo comigo, os deuses eram-me favoráveis. Os nossos beijos tornaram-se mais violentos. Pus a sua mão no meu caralho e puxei a sua camisa de noite para cima. Comecei a mexer-lhe na cona. Katherine com uma cona? O clitóris saiu e toquei-o doce e insistentemente. Por fim, montei-a. O meu caralho entrou até metade. Era muito estreita. Eu ia e vinha e depois empurrava. O resto do meu caralho escorregou. Glorioso. Ela arranhou-me. Eu mexia-me e ela arranhava-me mais. Tentava controlar-me. Parei de a comer e esperei que acalmasse. Beijei-a, entreabri-lhe os lábios, chupei-lhe o superior. Vi os seus cabelos espalhados na almofada. Depois renunciei a dar-lhe prazer e fodi-a simplesmente, fodia-a viciosamente. Era como um assassínio. Não me preocupei; o meu caralho estava louco. Todo aquele cabelo, o seu jovem e belo rosto. Era como violar a Virgem Maria. Vim-me. Vim-me dentro dela, agonizando, sen-

107 tindo o meu esperma entrar no seu corpo, ela nada podia, e disparei o meu esperma ao mais fundo dos seus órgãos - corpo e alma - sem parar...

Mais tarde, adormecemos. Mais exactamente, Katherine adormeceu. Eu abraçava-a por trás. Pela primeira vez pensei no casamento. Sabia que ela certamente tinha defeitos que ainda não tinham vindo à superfície. O princípio de uma relação é sempre o mais fácil. Depois as máscaras caíam uma a uma, sem parar. Contudo, pensei no casamento. Pensei numa casa, num cão e num gato, em compras nos supermercados. Henry Chinaski estava a perder os tomates. E não se preocupava.

Por fim adormeci. Quando acordei, de manhã, Katherine estava sentada na borda da cama a escovar aqueles metros de cabelos ruivos. Os seus enormes olhos castanhos olharam para mim. «Olá Katherine, queres casar comigo?»

«Por favor, não peças isso. Não gosto disso.»

«A sério.»

«Oh, merda, Hank.»

«O quê?»

«Eu disse merda, e se continuas, apanho o primeiro avião.»

«OK.»

«Hank?»

«Sim?»

Olhei para ela. Continuava a escovar os cabelos. Os seus olhos castanhos olharam para mim, ela sorria-se. «É só sexo, Hank, é apenas sexol» Riu-se. Não era um riso sardónico, era um riso alegre. Ela escovava os cabelos, pus o meu braço em redor da sua cintura e pousei a cabeça na sua perna. Já não estava seguro de nada.

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Eu levava as mulheres ou aos combates de boxe ou às corridas de cavalos. Na quinta-feira à noite, levei Katherine a um combate de boxe, ao auditório olímpico. Ela nunca tinha assistido a um combate ao vivo. Chegámos antes do primeiro assal-

tos to e sentámo-nos ao pé do ringue. Enquanto esperávamos, bebia cerveja e fumava.

«É estranho, toda esta gente sentada à espera que dois homens subam para o ringue e se batam até caírem», disse eu.

«Deve ser horrível.»

«Isto foi construído há bastante tempo», disse-lhe enquanto ela olhava a antiga arena. «Há só duas casas-de-banho, uma para homens, outra para mulheres, e são pequenas. Por isso, tenta ir antes ou depois do intervalo.»

«Está bem.»

O público do auditório olímpico era constituído sobretudo por latino-americanos e operários brancos, algumas estrelas de cinema e outras celebridades. Por vezes havia bons lutadores mexicanos que lutavam com o coração. Os únicos combates maus eram entre brancos e pretos, sobretudo na categoria de pesos pesados.

Era estranho estar ali com Katherine. As relações humanas eram assim. Quero dizer, está-se com alguém durante algum tempo, comemos, dormimos, vive-se com ela, amamo-la, ralamos com ela, saímos com ela e de repente tudo acaba. Segue-se um pequeno período em que não se está com ninguém, e depois aparece outra mulher, comemos com ela, fodemos com ela, e parece tudo normal, como se estivéssemos à sua espera e ela de nós. Nunca me senti bem sozinho: às vezes era bom, mas nem sempre.

Ò primeiro combate foi bom, cheio de sangue e coragem. Assistir a um combate de boxe ou ir às corridas de cavalos trazia qualquer coisa para a escrita. A mensagem não era muito clara, mas ajudava-me. Aliás, era o ponto mais importante: a mensagem não era clara. Era sem palavras, como uma casa a arder, um tremor de terra ou uma inundação, ou ainda uma mulher a mostrar as pernas ao sair do carro. Não sabia do que precisavam os outros escritores; estava-me nas tintas, porque de qualquer dos modos não conseguia lê-los. Eu estava enclausurado nos meus próprios hábitos, nos meus preconceitos. Não era mau ser-se estúpido desde que a ignorância fosse verdadeiramente nossa. Eu sabia que um dia havia de escrever sobre Katherine e

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