Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 210 de 247

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Mulheres

consideravam-se muitas vezes livres, mas sobretudo eram…

consideravam-se muitas vezes livres, mas sobretudo eram incapazes do mínimo sentimento ou de amor. Por isso eram despreocupadas. Os mortos a foderem os mortos. Não havia nem risos nem humor nos seus jogos - era um cadáver a foder outro cadáver. As morais eram restritivas, mas enraizavam-se mesmo na experiência humana de várias gerações. Algumas morais tendiam a manter as pessoas como escravas nas fábricas, nas igrejas e levavam-nas a acreditar no Estado. Outras morais faziam mais sentido. Era como um jardim cheio de frutos envenenados e de frutos sãos. Tínhamos de saber quais devíamos colher e comer e em quais não tocar.

A minha experiência com íris foi deliciosa e satisfatória, embora não estivesse apaixonado por ela, nem ela por mim. Era fácil gostar e difícil não gostar. Eu gostei. Estávamos sentados dentro do Volks, no parque de estacionamento superior. Tínhamos algum tempo. Tinha ligado o rádio. Brahms.

«Hei-de voltar a ver-te?», perguntei-lhe.

«Penso que não.»

«Queres ir beber um copo ao bar?»

«Tornaste-me numa alcoólica, Hank. Estou tão fraca que caminho com dificuldade.»

«Foi por causa da bebedeira?»

«Não.»

«Então vamos beber um copo.»

«Beber, beber, beber! É tudo em que pensas?»

«Não, mas é uma boa maneira de ultrapassar situações como esta.»

«Não consegues encarar as coisas de frente?»

«Consigo, mas não quero.»

«É uma fuga.»

«Tudo é uma fuga: jogar golfe, dormir, comer, andar, conversar, ojogging, respirar, foder...»

«Foder?»

«Olha, parecemos meninos do liceu a discutir. Vou levar-te ao avião.»

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