Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 101 de 247

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Mulheres

Pequenas bolhas geladas subiam dos meus pulsos…

Pequenas bolhas geladas subiam dos meus pulsos para os ombros e desciam pelas costas. Eu tremia todo. Voltei-me. Joanna estava ali, de pé.

«Não me voltes a fazer isso», disse eu. «Não me voltes a assustar assim ou mato-te!»

«Hank, mas eu saí para comprar cigarros.»

«Olha para este quadro.»

«Oh, que maravilha. Gosto mesmo muito.»

«É a mescalina, suponho.»

«Claro que é.»

«Muito bem, dê-me um cigarro, minha senhora.»

Joanna riu-se e acendeu dois. Recomecei a pintar.

Desta vez consegui: um enorme lobo verde a foder uma ruiva, com o cabelo puxado para trás, enquanto o lobo verde enfiava por entre as pernas levantadas na vertical. Ela estava desamparada e submissa. O lobo ia e vinha e por cima a noite ardia, era ao relento, estrelas de longos braços e a lua observavam. Era quente, quente e cheio de cor.

«Hank...»

Dei um salto. Voltei-me. Era Joanna atrás de mim. Agarrei-a pelo pescoço. «Já te disse, sua cabra, para não me assustares...»

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Fiquei cinco dias e cinco noites. Depois não suportei mais. Joanna levou-me ao aeroporto. Comprou-me uma mala e roupas novas. Eu detestava o aeroporto de Dálias, Forth Worth. O aeroporto mais desumano dos Estados Unidos.

Joanna fez-me adeus e eu já voava...

A viagem para Los Angeles decorreu sem incidentes. Desembarquei, interrogando-me sobre o Volks. Fui pela escada rolante até ao parque de estacionamento e não o vi. Calculei que tivesse sido levado. Depois fui até ao outro lado do parque - lá estava ele. Só tinha de pagar o bilhete de estacionamento.

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