Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 156 de 247

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Mulheres

Fiz-lhe a cama no chão. «Os cobertores são suficientes?»

«Está bem.»

Fiz-lhe a cama no chão. «Os cobertores são suficientes?»

«Sim.»

«E as almofadas, estão bem?»

«Claro.»

Acabei de beber, levantei-me para trancar a porta da entrada.

«Não te estou a fechar. É para ficares em segurança.»

«Claro...»

Fui para o quarto, apaguei a luz, despi-me e meti-me debaixo dos lençóis. «Vês», gritei, «não te violei.»

«Oh», respondeu, «quem me dera!»

Não levei aquilo a sério, mas foi bom ouvir. Fiz o meu jogo. Liza ficava para a noite seguinte.

Quando acordei, ouvi-a na casa-de-banho. Devia tê-la agarrado? Como podia um homem saber o que devia fazer? Geralmente, pensei, é melhor esperar se sentimos algo pela pessoa. Se não se gosta dela, o melhor é fodê-la logo; se não, é melhor esperar, fodê-la e depois odiá-la.

Liza saiu da casa-de-banho com um vestido vermelho, nem comprido nem curto. Ficava-lhe bem. Ela era magra e charmosa. Pôs-se em pé, frente ao espelho do meu quarto, a mexer no seu cabelo.

«Hank, vou agora comprar os vestidos. Fica na cama. Deves estar doente depois daquilo que bebeste.»

«Porquê? Bebemos os dois a mesma coisa.»

«Eu ouvi a servires-te de mais, na cozinha. Porque fizeste aquilo?»

«Acho que estava com medo.»

«Tu? Medo? Pensei que fosses o maior e mais alcoólico fodilhão de mulheres.»

«Desiludi-te?»

«Não.»

«Tive medo. A minha arte é o meu medo. Ê dele que eu a extraio.»

«Vou procurar os vestidos, Hank.»

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