Mulheres
Avancei para a árvore e disse: «Ouve,…
Avancei para a árvore e disse: «Ouve, o que se passa contigo?».
Lydia continuou escondida. Tinha dois sacos de compras cheios de livros meus e quadros.
«Olha, tenho de reaver os meus quadros e os meus livros. Pertencem-me.»
Lydia saiu de trás da árvore - a gritar. Tirou as pinturas do saco e começou a rasgá-las. Atirava os pedaços ao ar e saltava por cima deles quando caíam no chão. Ela trazia as botas de cow-girl.
Depois tirou os livros do saco e começou a lançá-los à volta, para a estrada, para o relvado, para todo o lado.
«Aqui estão as tuas pinturas! Aqui estão os teus livros! E NÃO ME FALES NAS TUAS MULHERES! NÃO ME FALES NAS TUAS MULHERES!»
Depois, correu para o meu jardim com o meu último livro nas mãos, The Selected Works ofHenry Chinaski. Gritava: «Com que então queres os teus livros? Com que então queres os teus livros? Aqui estão a merda dos livros! E NÃO ME FALES NAS TUAS MULHERES!».
Começou a partir os vidros da minha porta de entrada. Com o The Selected Works ofHenry Chinaski na mão, começou a partir os vidros um a um, e gritava: «Queres os teus livros de volta? Aqui estão a merda dos livros! E NÃO ME FALES NAS TUAS MULHERES! NÃO QUERO OUVIR FALAR NAS TUAS MULHERES!».
Fiquei ali parado, enquanto ela gritava e partia os vidros.
Onde estará a polícia?, pensei. Onde?
Lydia desceu depois o jardim, deu um pontapé com o pé esquerdo no caixote de lixo, e meteu-se pelo caminho de acesso ao prédio vizinho. Por detrás de um pequeno arbusto estava a minha máquina de escrever, o meu rádio e a torradeira.
Lydia agarrou na máquina e correu para o meio da rua. Era uma máquina antiga e pesada. Lydia levantou-a com as duas mãos acima da cabeça e lançou-a para o chão. O rolo e várias peças voaram. Agarrou outra vez na máquina, levantou-a acima da cabeça e gritou: «NÃO ME FALES NAS TUAS MULHERES!», e lançou-a outra vez ao chão.
Depois saltou para o carro e partiu.
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