Mulheres
«Lydia, a nossa relação acabou. Tu sabes isso.»
«É UMA MULHER, NÃO É?»
«Sim.»
«Pronto, está bem.»
«Está bem. Adeus.»
«Adeus.»
A voz de Lydia acalmou-se de repente. Sentia-me melhor. A sua violência assustava-me. Dizia sempre que o ciumento era eu, e fui muitas vezes ciumento, mas quando eu via que as coisas se viravam contra mim, eu tornava-me triste e isolava-me. Lydia era diferente. Ela reagia. Era a campeã da violência.
Mas pela sua voz eu sabia que ela tinha desistido e que não estava furiosa. Eu conhecia aquela voz.
«Era a minha ex», disse eu a Mindy.
«Acabou?»
«Sim.»
«Ela ainda te ama?»
«Creio que sim.»
«Então não acabou.»
«Acabou.»
«Posso cá ficar?»
«Claro. Por favor.»
«Não estás a servir-te de mim? Li todos esses poemas de amor... para Lydia.»
«Estive apaixonado. E não estou a servir-me de ti.»
Mindy encostou o seu corpo ao meu e beijou-me. Foi um longo beijo. Entesei-me. Eu havia tomado recentemente uma boa dose de vitamina E. Tinha as minhas ideias sobre sexo. Andava teso e masturbava-me constantemente. Fazia amor com Lydia e quando chegava a casa de manhã masturbava-me. Pensar no sexo como coisa interdita lançava-me num estado de excitação próximo do delírio. Como um animal que submete o outro, lançando-o ao chão.
Quando me vinha tinha a sensação de o fazer sobre o rosto de tudo o que era decente, o branco esperma pingando sobre as cabeças e as almas dos meus pais já mortos. Se eu tivesse nascido mulher, seria certamente prostituta. Mas como nasci homem,
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