Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 190 de 247

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Mulheres

Na auto-estrada da costa do Pacífico parei…

Na auto-estrada da costa do Pacífico parei junto a um bar e tomei um vodka 7 duplo. Estava preocupado com Sara. Ela dizia que o sexo significava casamento. E falava a sério. Tinha, sem dúvida, vocação para celibatária. Contudo imaginava-a a ter prazer de várias maneiras, de certeza que não fui o primeiro a ter o caralho esfregado na sua cona. Eu achava que ela andava tão confusa como quase toda a gente. Porque me submetia aos seus hábitos, era um mistério para mim. Nem sequer quis enrabá-la. Não concordava com as suas ideias, mas ela agradava-me. Talvez me estivesse a tornar preguiçoso. Talvez estivesse a envelhecer. Feliz aniversário, Sara.

Estacionei em frente da casa dela e agarrei o cesto. Ela estava na cozinha. Sentei-me, o cesto numa mão, as garrafas na outra.

«Aqui estou, Sara!»

Ela saiu da cozinha. Aproveitara-se da ausência de Ron para pôr o gira-discos dele no máximo volume. Sempre odiei aparelhagens. Quando se vive num quarteirão pobre, ouvimos continuamente os sons dos vizinhos, incluindo as suas fodas, mas a coisa mais horrível era ser-se obrigado a ouvir a música deles, no volume máximo, durante horas. E ainda por cima, eles deixavam habitualmente as janelas abertas, convencidos de que nós havíamos de gostar do que eles gostavam.

Sara tinha posto um disco de Judy Garland. Eu gostava de Judy Garland, um pouco, sobretudo quando deu um concerto no Metropolitan. Mas de repente, ela parecia gritar merdas sentimentais.

«Por amor de Deus, Sara, põe mais baixo\»

Ela baixou, mas não muito. Depois abriu uma garrafa de vinho e sentámo-nos à mesa, frente a frente. Senti-me irritado.

Sara meteu a mão no cesto e descobriu o mel. Ficou contentíssima. Tirou a tampa e provou.

«É tão forte», disse ela. «É essência... Queres?»

«Não, obrigado.»

«Estou a preparar o jantar.»

«Óptimo. Mas devia levar-te a jantar fora.»

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«Já comecei a fazê-lo.»

«Então, está bem.»

«Mas preciso de manteiga. Terei de sair para comprar. E vou precisar também de pepinos e tomates para o restaurante.»

«Eu vou comprar. E o teu aniversário.»

«Tens a certeza de que não queres provar o mel?»

«Não, obrigado, não me apetece.»

«Não podes imaginar a quantidade de abelhas que foram necessárias para encher este frasco.»

«Feliz aniversário. Vou buscar a manteiga e as outras coisas.» Bebi um copo de vinho, entrei no Volks e parei em frente duma pequena mercearia. Comprei a manteiga, mas os tomates e os pepinos pareciam velhos e ressequidos. Paguei a manteiga e fui à procura duma loja maior. Encontrei, comprei os tomates e os pepinos e regressei. Enquanto subia a álea da casa dela ouvi a música. Sara tinha de novo levantado o volume. Ao aproximar-me, senti-me doente; os meus nervos começaram a fraquejar e quebraram-se. Entrei em casa só com o pacote de manteiga na mão; tinha deixado os tomates e os pepinos no carro. Não sei o que é que ela tinha posto a tocar; estava tão alto que não conseguia distinguir um som de outro.

Sara saiu da cozinha. «RAIOS TE PARTAM!», gritei.

«O que foi?», perguntou Sara.

«NÃO CONSIGO OUVIR!»

«O quê?»

«PUSESTE A MERDA DO GIRA-DISCOS DEMASIADO ALTO! NÃO PERCEBES?»

«O quê?»

«VOU-ME EMBORA!»

«Não!»

Dei meia volta, dei um pontapé na porta de rede. Fui ao carro e vi o saco com os tomates e os pepinos. Agarrei nele e subi a álea. Encontrámo-nos.

Estendi-lhe o saco. «Toma.»

Dei meia volta e fui andando. «Seu filho da puta!», gritou ela. Atirou-me com o saco. Atingiu-me ao meio das costas. Virou-se e entrou em casa a correr. Olhei para os tomates e pepi-

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