Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 96 de 247

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Mulheres

«Vou procurar um voo e depois telefono-te.»

Eu devia apanhar o voo 707, que partia do aeroporto de LA no dia seguinte, às 12.15. Telefonei para Joanna a dizer-lhe. Disse-me que estaria lá à minha espera.

O telefone tocou. Era Lydia.

«Achei que devia dizer-te que vendi a casa. Vou para Phoenix. Vou de manhã.»

«Está bem, Lydia. Boa sorte.»

«Abortei. Quase que morria, foi horrível. Perdi muito sangue. Mas não te quis chatear com isso.»

«E agora estás bem?»

«Sim, estou. Só quero sair desta cidade. Estou farta desta cidade.»

Despedimo-nos.

Abri outra cerveja. A porta de entrada abriu-se e Tammie entrou. Anda às voltas, a olhar para mini.

«A Valerie já chegou a casa?», perguntei. «Curaste a solidão do Bobby?»

Tammie continuava a andar às voltas. Ficava muito bem com o seu vestido comprido, quer tenha ou não fodido.

«Desaparece», disse eu.

Deu mais uma volta, correu para a porta e foi para casa. Não consegui dormir. Felizmente, havia mais cerveja. Continuei a beber e acabei a última garrafa por volta das 4.30 da manhã. Sentei-me e esperei pelas seis horas para ir comprar mais cerveja.

O tempo passava lentamente. Andei às voltas. Não me sentia bem, mas comecei a cantarolar. Cantava e andava às voltas - da casa-de-banho para o quarto, da sala para a cozinha, voltava, sempre a cantar.

Olhei para o relógio. 11.15. O aeroporto ficava a uma hora,

735 de carro. Estava vestido. Estava calçado, mas não tinha peúgas. Agarrei num par de óculos para ler, que enfiei no bolso da camisa. Saí a correr, sem bagagem.

O W estava estacionado em frente da casa. Entrei. A luz do dia estava fortíssima. Pousei a cabeça no volante, durante um momento. Ouvi uma voz que vinha do jardim. «Para onde é que ele pensa que vai naquele estado?»

Pus o carro a trabalhar, liguei o rádio e arranquei. Tive problemas de condução. O carro queria a todo o momento passar a dupla linha amarela, em direcção ao trânsito que vinha em sentido contrário. Buzinaram-me e voltei para a faixa certa.

Cheguei ao aeroporto. Restavam-me quinze minutos. Ultrapassei sinais vermelhos, sinais de paragem, excedi o limite de velocidade, durante todo o caminho. Tinha catorze minutos. O parque de estacionamento estava cheio. Era impossível encontrar um lugar. De repente vi um lugar em frente dum elevador, com espaço suficiente para o Volks. Havia um sinal vermelho, PROIBIDO ESTACIONAR. Estacionei. Enquanto trancava o carro, os óculos caíram do bolso e partiram-se no chão.

Desci a escadaria e atravessei a rua a correr até ao balcão das reservas. Fazia um calor tórrido. O suor escorria por mim. «Reserva em nome de Henry Chinaski...» O empregado preencheu o bilhete e paguei. «A propósito», disse o empregado, «li os seus livros.»

Corri em direcção aos serviços de segurança. O aparelho deu sinal. Demasiadas moedas, sete chaves e o meu canivete de bolso. Coloquei-os num prato e passei de novo.

Cinco minutos. Porta 42.

Estava toda a gente a bordo. Entrei. Três minutos. Encontrei o lugar e apertei os cintos. O comandante de voo estava a falar pelo intercomunicador.

Rolámos pela pista e levantámos voo. Virámos sobre o oceano e fizemos meia volta.

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