Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 233 de 247

Páginas do PDF

Mulheres

disse, sou um amante de beijos. Não…

disse, sou um amante de beijos. Não conseguia evitá-los. Um beijo bem dado é raríssimo. Nem no cinema, nem na televisão, eles sabiam dar. Eu e Sara estávamos na cama, a esfregar os corpos e a beijar-nos profundamente. Ela entregava-se mesmo. Repetiram-se as cenas anteriores. Drayer Baba vigiava-nos do alto

- ela agarrava-me no caralho, eu acariciava-lhe a rata, ela acabava por esfregá-lo contra a sua cona e, no dia seguinte de manhã, a pele do caralho estava vermelha e esfolada.

Passámos à fase do esfreganço. E de repente ela agarrou no meu caralho e enfiou-o na cona.

Eu estava parvo. Não sabia o que fazer.

Para cima e para baixo, está bem? Ou melhor, para dentro e para fora. Era como conduzir uma bicicleta: nunca se esquece. Ela era um mulher mesmo bonita. Não pude voltar atrás. Agarrei-lhe no cabelo loiro avermelhado e pus a minha na sua boca e vim-me.

Ela levantou-se e foi à casa-de-banho e eu olhei para o tecto azul do meu quarto e disse: «Drayer Baba, perdoa-lhe».

Mas como ele não falava nem tocava em dinheiro, eu não podia esperar uma resposta nem podia pagar-lhe.

Sara saiu da casa-de-banho. A sua figura era esbelta, era magra e bronzeada, arrebatadora. Sara veio para a cama e beijámo-nos. Foi um beijo de amor, sem reservas.

«Feliz Ano Novo», disse ela.

Dormimos agarrados um ao outro.

101

Eu correspondia-me com Tanya e na noite de 5 de Janeiro ela telefonou-me. Tinha uma voz sexy como a de Betty Boop. «Chego amanhã à noite. Vais buscar-me ao aeroporto?» «Como é que hei-de reconhecer-te?» «Levo uma rosa branca.» «Óptimo.»

«Escuta, queres mesmo que eu vá?» «Sim.»

300

«Pronto, lá estarei.»

Desliguei. Pensei em Sara. Mas eu e a Sara não estávamos casados. Um homem tem esse direito. Eu era um escritor. Era um pulha. As relações humanas não resultavam. Só as duas primeiras semanas tinham algum impacto e depois as pessoas perdiam o interesse. As máscaras caíam, as pessoas mostravam o que eram: cheias de defeitos, imbecis, dementes, vingativas, sádicas, assassinas. A sociedade moderna tinha criado as suas espécies e devoravam-se umas às outras. Era um duelo até à morte - como numa fossa. Cheguei à conclusão que o máximo de tempo que se podia esperar numa relação era dois anos e meio. O rei Mongut do Siao tinha 9.000 mulheres, e concubinas; o rei Salomão do Velho Testamento tinha 700 mulheres; Augusto, o Forte, da Saxónia, tinha 365 mulheres, uma para cada dia do ano. A segurança nos números.

Marquei o número de Sara. Ela atendeu.

«Olá», disse eu.

«Estou contente por telefonares», disse ela, «estava precisamente a pensar em ti.»

«Como vai o teu velho restaurante dietético?»

«O dia não foi mau.»

«Tens de aumentar os preços. As coisas são quase de borla.»

«Se eu tivesse lucros, tinha de pagar impostos.»

«Escuta, telefonaram-me esta noite.»

«Quem?»

«ATanya.»

«Tanya?»

«Sim, nós escrevemo-nos. Ela gosta dos meus poemas.»

«Vi essa carta. Aquela que ela te escreveu. Deixaste-a de qualquer maneira. É a tipa que te enviou a fotografia com a rata à mostra?»

«Sim.»

«E ela vem visitar-te?»

«Sim.»

«Hank, estou farta, mais que farta. Não sei o que fazer.»

«Ela vem a caminho. Disse-lhe que ia esperá-la ao aeroporto.»

301