Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 246 de 247

Páginas do PDF

Mulheres

Ela entrou para o Volks e fomos…

«Está bem.»

Ela entrou para o Volks e fomos pela Hollywood Boulevard. Virei à direita, depois à esquerda e entrámos na Franklin. «Tens imenso vinho», disse ela. «Sim.»

«Acho que preciso de uma bebida.» «Acho que toda a gente precisa. Só que não sabe.» «Eu sei.»

«Podemos ir para minha casa.» «OK.»

Dei meia volta. «Tenho algum», disse eu. «Vinte dólares», respondeu ela. «Fazes broche?» «Do melhor.»

Quando chegámos, servi-lhe um copo de vinho. Estava quente. Ela não se importou. Eu também o bebi assim. Depois tirei as calças e estendi-me na cama. Ela seguiu-me até ao quarto. Tirei o meu caralho murcho. Ela atirou-se logo a ele. Era péssima, sem imaginação nenhuma.

Que grande merda, pensei.

Levantei a cabeça da almofada. «Anda lá, querida, anda lá com isso\ Que merda é que estás a fazer?»

Estava com dificuldades em entesar-me. Ela chupava-o e olhava-me nos olhos. Era o pior broche que já me tinham feito. Ela chupou-o durante dois minutos e depois largou-o. Tirou o lenço da carteira e cuspiu nele como se estivesse a expectorar.

«Eh», disse eu, «que barrete me queres enfiar? Eu não me vim.»

«Vieste-te, sim, vieste-te, sim!»

«Eh, eu sei muito bem quando me venho!»

«Vieste-me na minha boca.»

«Pára com essa merda! Volta ao trabalho!»

Ela recomeçou, mas continuava a ser péssimo. Deixei-a con-

316 tinuar, esperando o melhor. Uma puta. Ela chupava. Era como se ela o quisesse fazer, como se ambos o quiséssemos. O meu caralho murchou. Ela continuou.

«Pronto, pronto», disse eu, «deixa. Esquece.»

Vesti as calças e puxei pela carteira.

«Aqui estão os teus vinte dólares. Agora podes ir-te embora.»

«Não me dás uma boleia?»

«Para onde?»

«Para o cruzamento da Van Ness com a Franklin.»

«Está bem.»

Fomos para o carro e levei-a até Van Ness. Quando arranquei vi-a esticar o dedo. Estava a pedir boleia.

Quando cheguei a casa, voltei a telefonar para Sara.

«Como vai isso?»

«Hoje está calmo.»

«Ainda cá vens hoje à noite?»

«Eu disse-te que ia.»

«Comprei vinho branco. Será como nos velhos tempos.»

«Vais voltar a ver a Tanya?»

«Não.»

«Não bebas até eu chegar.»

«Está bem.»

«Tenho de desligar... Vem aí um cliente.»

«Óptimo. Até logo.»

Sara era uma mulher gentil. Eu tinha de endireitar-me. Quando um homem precisava de muitas mulheres era porque nenhuma delas prestava. Um homem podia perder a sua identidade por foder demasiado. Sara merecia mais do que eu lhe dava. Agora tinha de ser eu a dar. Estendi-me na cama e rapidamente adormeci.

Fui acordado pelo telefone. «Sim?», perguntei.

«Você é o Henry Chinaski?»

«Sim.»

«Sempre adorei o que escreve. Acho que ninguém escreve melhor do que você!»

317