Mulheres
Ela partiu. Com todos estes cabrões à…
Ela partiu. Com todos estes cabrões à minha volta, não pude fazer nada.
Depressa se juntaram quatro ou cinco canecas de cerveja na mesa. Pedi uma sanduíche. Bebemos durante duas ou três horas, e depois voltei para o quarto. Acabei com as cervejas do lavatório e deitei-me.
Não me lembro muito bem da leitura, mas no dia seguinte acordei sozinho na cama. Joe Washington bateu à porta às onze da manhã.
«Eh, foi uma das tuas melhores leituras!»
«A sério? Não me estás a gozar?»
«Não, foste óptimo. Aqui está o cheque.»
«Obrigado, Joe.»
«Tens a certeza de que não queres estar com o Burroughs?»
«Tenho a certeza.»
«Ele lê esta noite. Vais ficar para ouvir?»
«Tenho de regressar a L. A., Joe.»
«Já o ouviste ler?»
«Joe, eu quero tomar um duche e pirar-me daqui. Vais levar-me ao aeroporto?»
«Claro.»
Quando partimos, Burroughs estava sentado na sua cadeira, perto da janela. Pareceu não ter-me visto. Olhei-o de relance e pus-me a andar. Eu tinha o meu cheque. E estava ansioso por ir às corridas...
84
Correspondi-me com uma senhora de San Francisco durante largos meses. Chamava-se Liza Weston, e sobrevivia a dar lições de dança e ballet no seu próprio estúdio. Tinha trinta e dois anos, fora casada uma vez, e todas as suas cartas eram longas,
202 impecavelmente dactilografadas em papel cor-de-rosa. Escrevia bem, com inteligência e poucos exageros. As suas cartas agradavam-me e eu respondia-lhe. Liza estava afastada da literatura, mantinha-se afastada de pretensiosas questões de ordem geral. Escrevia-me sobre pequenos factos quotidianos, mas descrevia-os com profundidade e humor. E um dia escreveu para me dizer que vinha a L. A. para comprar fatos de dança e perguntar se eu gostaria de me encontrar com ela. Disse-lhe que sim, e que podia ficar em minha casa, mas que, devido à nossa diferença de idades, ela teria de dormir no sofá e eu na cama. Telefono-te mal chegue, escreveu-me em resposta.
Três ou quatro dias depois, tocou o telefone. Era Liza. «Estou na cidade», disse ela.
«Estás no aeroporto? Vou buscar-te.»
«Vou apanhar um táxi.»
«E caro.»
«É mais fácil.»
«O que costumas beber?»
«Não bebo muito. Por isso, o que quiseres...»
Sentei-me e esperei. Sempre me senti embaraçado nestas situações. Quando elas chegavam, eu quase desejava que isso não acontecesse. Liza tinha-me dito que era bonita, mas ainda não tinha visto nenhuma fotografia sua.
Um dia casei-me por correspondência, ou melhor, prometi a uma mulher que me casava com ela, só por correspondência. Também me tinha escrito cartas inteligentes, mas dois anos e meio de casamento foram um desastre. Geralmente as pessoas são muito melhores nas cartas que escrevem do que na realidade. Muito mais poéticas.
Andava de um lado para o outro. Depois ouvi passos na álea. Fui espreitar através das persianas. Nada mau. Cabelo escuro, elegantemente vestida, com uma saia que caía até aos tornozelos. Caminhava graciosamente com a cabeça direita. Tinha um nariz bonito e a boca era vulgar. Eu gostava de mulheres com vestidos, lembrava-me dos tempos passados. Ela trazia uma pequena mala. Bateu à porta. Abri. «Entra.»
Liza pousou a mala no chão. «Senta-te.»
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