Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 45 de 247

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Mulheres

«Disseste que tinha acabado.»

«E acabou. Simplesmente não quero que ela ande mal. Quero explicar-lhe o que se passou. As pessoas são muito frias umas para as outras. Não quero que ela volte, quero apenas tentar explicar-lhe o que se passou, para que ela compreenda.»

«Tu queres fodê-la.»

«Não, não quero fodê-la. Quis ardentemente fodê-la quando estava com ela. Quero simplesmente explicar-lhe.»

«Não gosto disso. Cheira-me a gato.»

«Deixa-me fazer isso. Por favor. Só quero esclarecer a situação. Volto logo.»

«Está bem. Mas despacha-te.»

Entrei para o Volks. Cortei em Fountain, andei alguns quilómetros, virei para norte, em Bronson, e cortei para o bairro de luxo. Estacionei cá fora, saí. Subi as escadas e toquei à campainha. Bianca abriu a porta. Lembro-me de uma noite ela ter-me aberto a porta, nua, abracei-me a ela e, enquanto nos beijávamos, Dee Dee desceu e disse: «Mas que raio se está aqui a passar?».

Mas desta vez foi diferente. «O que queres?», perguntou Bianca.

«Quero ver Dee Dee. Quero falar-lhe.»

«Ela está doente. Muito doente. Acho que não deves vê-la depois de a teres tratado daquele modo. És um filho da puta de primeira.»

«Só quero falar-lhe por momentos, explicar-lhe a situação.»

«Está bem. Ela está no quarto.»

Percorri o corredor até ao quarto. Dee Dee estava estendida na cama, em calcinhas. Um dos braços cobria os olhos. Os seus seios eram fabulosos. Havia uma garrafa de whisky vazia junto à cama e um bacio. O bacio cheirava a vómito e a álcool.

«Dee Dee...»

Ela levantou o braço.

«O quê? Hank, voltaste?»

«Não, espera, quero apenas falar contigo...»

«Oh! Hank, senti tanto a tua falta.» Pôs-se a chorar.

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