Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 26 de 247

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Mulheres

direcção ao tecto e gritou: «VOU SER…

direcção ao tecto e gritou: «VOU SER CÉLEBRE! VOU SER MESMO CÉLEBRE! NINGUÉM SABE ATÉ QUE PONTO HEI-DE SER CÉLEBRE!».

«Está bem», disse eu.

Depois, disse numa voz mais baixa: «Tu não percebes. Vou ser célebre. Tenho mais potencial do que tu!».

«O potencial», disse eu, «não quer dizer nada. Tu tens de o fazer. quase todos os bebés de berço têm um potencial mais elevado que o meu.»

«Mas eu VOU conseguir! VOU SER MESMO CÉLEBRE.»

«Está bem. Mas entretanto vem para a cama.»

Lydia deitou-se. Não nos beijámos. Não íamos fazer sexo. Sentia-me fatigado. Escutei os grilos. Não sei quanto tempo passou. Não tinha adormecido completamente quando Lydia, de repente, se sentou direita na cama. E gritou. Era um grito altíssimo.

«O que se passa?», perguntei. «Cala-te.»

Esperei. Lydia continuou sentada, imóvel, durante dez minutos. Depois encostou-se na almofada.

«Eu vi Deus», disse ela, «acabei de ver Deus.»

«Ouve, sua puta, tu pões-me maluco!»

Levantei-me e comecei a vestir-me. Estava louco. Não conseguia encontrar as calças. Que vão para o diabo, pensei. Deixei-as ficar. Tinha vestido toda a roupa e estava sentado na cadeira a pôr os sapatos nos meus pés nus.

«O que estás a fazer?», perguntou Lydia.

Não consegui responder. Dirigi-me para a porta da frente. O meu casaco estava pousado na cadeira, agarrei-o e vesti-o. Lydia correu para a porta. Tinha posto o seu robe azul e umas calcinhas. Estava descalça. Lydia tinha os tornozelos grossos. Habitualmente usava botas para os esconder.

«TU NÃO TE VAIS EMBORA!», gritou-me.

«Merda, vou-me embora daqui.»

Ela saltou para cima de mim. Atacava-me quando eu estava bêbedo. Eu estava sóbrio. Desviei-me e ela aterrou no chão, de costas. Passei por cima dela para me dirigir à porta. Estava com

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