Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 91 de 247

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Mulheres

No dia seguinte de manhã, por volta…

No dia seguinte de manhã, por volta das onze horas, voltei a passar por lá. O carro dela não estava. O meu bilhete continuava debaixo da porta. Contudo, toquei à campainha.

As cartas continuavam na caixa do correio. Deixei um bilhete dentro da caixa: «Tammie, por onde andas? Contacta-me... Hank».

Percorri de carro todo o quarteirão, à procura do Camaro vermelho já desfeito.

Voltei nessa noite. Chovia. Os meus bilhetes estavam molhados. Havia mais correio na caixa. Deixei-lhe um livro meu de poemas, com dedicatória. Regressei ao meu W. Tinha pendurada no retrovisor uma cruz de Malta. Tirei a cruz e fui pendurá-la na maçaneta da porta de Tammie.

Não conhecia a direcção de nenhum dos seus amigos, nem da sua mãe, nem dos seus amantes.

Fui para casa e escrevi alguns poemas de amor.

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Eu estava sentado com um anarquista de Beverley Hills, Ben Solvnag, que andava a escrever a minha biografia, quando ouvi os passos dela no jardim. Conhecia o som - sempre vivos, frenéticos e sexy - dos seus pequenos pés. Eu vivia quase ao fundo do jardim. A minha porta estava aberta. Tammie entrou a correr.

Atirámo-nos aos braços um do outro, abraçámo-nos e beijámo-nos.

Ben Solvnag disse adeus e partiu.

«Aqueles filhos da puta tiraram-me tudo, tudo! Sob o pretexto de que eu não podia pagar a renda! Aquele porco filho da puta!»

«Vou até lá e parto-lhe o eu. Havemos de reaver as tuas coisas.»

«Não, ele tem armas! Toda a espécie de armas!»

«Oh!»

«A minha filha está em casa da minha mãe.»

«Queres beber alguma coisa?»

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«Claro.» «O quê?»

«Champanhe extra-seco.» «OK.»

A porta continuava aberta e a luz da tarde atravessava-lhe o cabelo - eram tão compridos e vermelhos que ardiam. «Posso tomar banho?», perguntou. «Claro.» «Espera por mim.»

No dia seguinte de manhã, conversámos sobre a sua situação económica. Esperava receber algum dinheiro: a pensão da filha, subsídio de desemprego e mais algum ainda.

«Há um apartamento vago, lá atrás, precisamente por cima de mim.»

«Quanto é?»

«Cento e cinco dólares, com metade das despesas pagas.» «Oh, merda, posso alugar. Aceitam crianças? Uma criança?» «Hão-de aceitar. Tenho influência. Conheço os proprietários.»

No domingo seguinte, ela mudou-se. Vivia mesmo por cima de mim. Ela podia olhar para dentro da minha cozinha, onde eu passava as minhas coisas à máquina, na mesa do canto.

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Nessa terça-feira à noite, eu, Tammie e o seu irmão, Joy, estávamos sentados a beber, em minha casa. O telefone tocou. Era Bobby.

«Louie e a mulher estão aqui, e ela gostava de estar contigo.» Louie era o tipo que tinha deixado o apartamento onde agora vivia Tammie. Ele tocava com grupos de jazz em pequenos clubes e não andava com muita sorte.

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