Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 107 de 247

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Mulheres

cartão no envelope. Depois tentou metê-lo na ranhura da máquina.

«Esta coisa não entra.»

«Vamos perder o avião.»

Continuou a tentar meter o envelope na máquina. Não conseguiu.

Ela ficou ali a tentar meter o envelope. O envelope já estava dobrado em dois e as pontas todas amarrotadas.

«Vou enlouquecer», disse-lhe eu. «Não suporto isto.»

Tentou mais algumas vezes. Não entrava. Olhou para mim. «OK, vamos.»

Subimos pela escada rolante com os vestidos e os sacos.

Encontrámos a porta de embarque. Arranjámos dois lugares atrás. Apertámos os cintos. «Vês», disse ela, «eu disse-te que tínhamos tempo.»

Olhei para o relógio. O avião começou a rolar...

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Estávamos no ar há vinte minutos quando ela tirou um espelho da sua carteira e começou a maquilhar-se, sobretudo nos olhos. Maquilhava os olhos com uma escova, concentrando-se nas pestanas. Enquanto fazia isso arregalava os olhos e mantinha a boca aberta. Eu observava-a e comecei a entesar-me.

Os seus lábios estavam tão carnudos, arredondados e abertos. Continuava a ocupar-se das pestanas. Pedi duas bebidas.

Tammie parou para beber e continuou depois. Um gajo novo, sentado à nossa direita, começou a masturbar-se. Tammie continuou a olhar para o espelho, mantendo a boca aberta. Parecia que ela sabia, de facto, chupar com aquela boca.

Continuou assim durante uma hora. Depois arrumou o espelho e a escova, encostou-se a mim e adormeceu.

À nossa esquerda, estava sentada uma mulher. Tinha uns quarenta e tais. Ao meu lado, Tammie dormia.

A mulher olhou para mim.

«Que idade tem ela?», perguntou-me.

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