Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 68 de 247

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Mulheres

vá ela a fazer ali comigo. Ela…

vá ela a fazer ali comigo. Ela não parecia ser uma fã de rock. Fui à casa-de-banho, voltei e apaguei a luz. Senti-a deitar-se ao meu lado. Tomei-a nos braços e beijámo-nos.

Eu não conseguia acreditar na minha sorte. Que direito tinha eu para fazer aquilo? Como podiam alguns livros de poemas originar isto? Era de facto incompreensível. Mas não ia deixar passar a ocasião. Senti-me estimulado. De repente ela desceu e pôs o meu caralho na boca. Observei os lentos movimentos da sua cabeça e do seu corpo ao luar. Ela não era tão boa como algumas, mas o que me espantava era ela estar a fazer-me aquilo. Precisamente quando estava para me vir, enfiei a minha mão naquela massa de belos cabelos para os expor ao luar, e vim-me na sua boca.

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Lydia esperava-me no aeroporto. Ela estava com tesão, como sempre.

«Meu Deus, estou com tusa! Masturbo-me, mas não me faz nada.»

Fomos para minha casa de carro.

«Lydia, a minha perna ainda está num estado lamentável. Não sei se consigo com a perna assim.»

«O quê?

«E verdade. Acho que não consigo foder com a perna neste estado.»

«Então, em que és bom?»

«Bem, posso fritar ovos e fazer truques.»

«Não sejas engraçado. Estou a perguntar-te em que é que és bom.»

«A perna há-de curar-se. Senão, hão-de cortá-la. Tem paciência.»

«Se não estivesses bêbedo, não terias caído e ferido a perna. É sempre a garrafa!»

«Não é sempre a garrafa, Lydia. Podemos cerca de quatro vezes por semana. Para a minha idade não está mal.»

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«Às vezes penso que nem mesmo tens prazer.»

«Lydia, o sexo não é tudo! És obcecada. Por amor de Deus, descansa um pouco.»

«Descansar até que a tua perna fique curada? Entretanto o que faço?»

«Jogamos ao Scrabble.»

Lydia gritou. O carro começou a ziguezaguear. «FILHO DA PUTA! EU MATO-TE!»

Atravessou a dupla linha amarela a grande velocidade, na direcção dos carros que vinham em sentido contrário. As buzinas tocaram e os carros dispersaram-se. Continuámos em sentido contrário, os carros aproximavam-se de nós e batiam à esquerda e à direita. Abruptamente, Lydia cruzou a linha dupla para a faixa que tínhamos deixado.

Onde está a polícia?, pensei. Porque será que, quando Lydia faz qualquer coisa, a polícia nunca aparece?

«Muito bem», disse ela. «Vou levar-te a casa e pronto. Já decidi. Vou vender a minha casa e mudar-me para Phoenix. Glendoline vive lá agora. As minhas irmãs bem me tinham dito que eu não devia viver com um cabrão como tu.»

Fizemos o percurso sem dizer palavra. Quando chegámos a minha casa, tirei a mala, olhei para Lydia e disse: «Adeus». Ela chorava silenciosamente, o seu rosto estava molhado. Partiu em direcção a Western Avenue. Entrei no pátio. De regresso de mais uma leitura...

Verifiquei o correio e depois telefonei para Katherine, que vivia em Austin, no Texas. Parecia estar verdadeiramente satisfeita por ouvir-me, e era bom escutar aquele acento do Texas, aquela gargalhada estridente. Disse-lhe que queria que ela viesse visitar-me e que lhe pagaria o bilhete de ida e volta, de avião. Que iríamos às corridas de cavalos, a Malibu. Que irí... tudo o que ela quisesse.

«Mas, Hank, tu não tens uma namorada?»

«Não, nenhuma. Sou um eremita.»

«Mas tu nos teus poemas falas sempre de mulheres.»

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«É o passado. Agora é o presente.»

«E Lydia?»

«Lydia?»

«Sim, falaste-me nela.»

«O que te disse?»

«Contaste-me como ela arrumou duas mulheres. Vais deixá-la bater-me? Não sou muito grande, tu sabes.»

«Isso não pode acontecer. Ela foi para Phoenix. Digo-te, Katherine, és de facto A mulher excepcional de que eu andava à procura. Por favor, confia em mim.»

«Vou ter que fazer preparativos. Vou ter que encontrar alguém que me cuide do gato.»

«OK. Mas quero que saibas que deste lado está tudo claro como água.»

«Mas não te esqueças, Hank, do que me disseste a propósito das tuas mulheres.»

«O que disse eu?»

«Que elas voltavam sempre.»

«Isso é conversa de machão.»

«Então irei. Mal tenha as coisas acertadas, faço uma reserva e dar-te-ei os detalhes.»

Quando estive no Texas, Katherine contou-me a sua vida.

Eu era apenas o terceiro homem com quem ela tinha dormido. Houve o marido, um campeão de atletismo, alcoólico, e eu. O seu ex-marido, Arnold, estava ligado ao show-business e ao mundo da arte. Não soube o que fazia concretamente. Assinava constantemente contratos com estrelas do rock, pintores, etc. O negócio tinha 60.000 dólares de débito, mas florescia. É uma daquelas situações em que, quanto mais dívidas se tiver, em melhor posição se fica.

Não sei o que se passou com o atleta. Acho que deve ter cavado. E depois Arnold entregou-se à coca. Em alguns dias, a coca transformou-o. Katherine afirmava que era incapaz de o reconhecer. Foi terrível. Corridas de ambulância para o hospital. Depois voltava ao seu escritório como se nada tivesse aconteci-

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