Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 121 de 247

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Mulheres

Tammie levantou-se. «Tenho de ir à casa-de-banho.»

Saiu. Fiquei sentado com Marty. Passaram-se dez minutos. Marty levantou-se e disse: «Espera, já venho».

Fiquei sentado à espera, cinco, dez minutos. Saí do escritório e da boíte, pela porta de trás. Dirigi-me ao parque de estacionamento e sentei-me dentro do Vòlks. Passaram-se quinze minutos, 20, 25.

Dou-lhe mais cinco minutos e depois vou-me embora, pensei. Nesse preciso momento, Marty e Tammie saíram pela porta de trás e meteram-se pela álea.

Marty apontou. «Lá está ele.» Tammie veio ao meu encontro. As suas roupas estavam numa grande desordem. Ela saltou para o banco de trás e enrolou-se.

Na auto-estrada perdi-me duas ou três vezes. Por fim, cheguei a casa. Acordei Tammie. Ela saiu, subiu as escadas a correr até a casa dela e bateu com a porta.

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Foi numa quarta-feira à noite, por volta da meia-noite e meia, eu estava muito doente. O meu estômago estava em carne viva, mas consegui mesmo assim enfiar algumas cervejas. Tammie estava comigo e parecia compreensiva.

Foi bom eu estar doente, passei um bom momento - estávamos só os dois, juntos.

Bateram à porta. Abri. Era o irmão de Tammie, Jay, e um tipo novo, Filbert, um pequeno porto-riquenho. Sentaram-se e ofereci uma cerveja a cada um.

«Vamos ver um filme pornográfico», disse Jay.

Filbert ficou ali sentado. Tinha um bigode preto cuidadosamente arranjado e um rosto sem grande expressão. Não transmitia nenhuma vibração. Pensei em palavras como vazio, estúpido, morto e por aí diante.

«Porque não dizes nada, Filbert?», perguntou Tammie.

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Ele não respondeu.

Levantei-me e fui vomitar na banca da cozinha. Voltei e sentei-me. Agarrei noutra cerveja. Eu sentia-me mesmo mal quando o meu estômago recusava a cerveja. Eu tinha estado bêbedo durante dias e noites seguidos. Precisava de descanso. Mas precisava também de beber. Só cerveja. Normalmente, eu teria suportado a cerveja. Bebi imensa.

O meu estômago não aguentou a cerveja. Fui para a casa-de-banho. Tammie bateu à porta. «Hank, estás bem?»

Lavei a boca e abri a porta. «Estou doente, é só.»

«Queres que eu me desembarace deles?»

«Claro.»

Ela foi ter com eles. «Olhem, amigos, porque não vamos para minha casa?»

Eu não esperava aquilo.

Tammie não tinha pago a conta da luz, ou não quis pagar, e sentaram-se à luz da vela. Ela havia levado a garrafa de cocktail margarita que eu tinha comprado nesse dia.

Sentei-me e bebi sozinho. A cerveja seguinte não saiu do estômago.

Eu conseguia ouvi-los lá em cima, a conversarem.

O irmão de Tammie partiu. Vi-o dirigir-se para o carro, ao luar.

Tammie e Filbert estavam sós lá em cima, à luz da vela.

Sentei-me a beber, com as luzes apagadas. Passou-se uma hora. Eu conseguia ver as chamas vacilantes das velas no escuro. Olhei em volta. Tammie tinha-se esquecido dos sapatos. Agarrei neles e subi as escadas. A porta estava aberta e ouvi-a dizer a Filbert... «Por isso, de qualquer dos modos, o que eu queria dizer era...»

Ela ouviu-me a subir as escadas. «És tu, Henry?»

Atirei os sapatos para o topo das escadas. Aterraram perto da sua porta.

«Esqueceste-te dos sapatos», disse eu.

«Oh, Deus te abençoe», disse ela.

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