Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 125 de 247

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Mulheres

«Escuta, querido, quero o número do telefone…

«Escuta, querido, quero o número do telefone do senhorio... Vives aqui há muitos anos. Sei que tens o número do telefone. Preciso dele.»

«Vá-se embora», disse ele.

«Olha, querido, serei simpática contigo... Um beijo, um grande beijo para ti!»

«Prostituta!», disse ele. «Meretriz!»

Richard fechou-lhe a porta.

Tammie voltou para minha casa.

«Hank?»

«Sim.»

«O que é meretriz? Sei o que é uma trombeta, mas o que é uma meretriz?»1

«Uma meretriz, minha querida, é uma puta.»

«Aquele filho da puta!»

Tammie voltou a sair e continuou a bater nas portas dos outros apartamentos. Algumas das pessoas ou não estavam, ou não respondiam. Voltou. «Não é justo! Porque é que eles me querem fora daqui? O que fiz eu?»

«Não sei. Tenta lembrar-te. Talvez haja qualquer coisa.»

«Não consigo lembrar-me de nada.»

«Vem cá comigo.»

«Não consegues manter a criança.»

«Tens razão.»

Passaram-se dias. O proprietário continuou invisível. Ele não gostava de negociar com os inquilinos. A administradora entrincheirou-se por detrás da notificação de despejo. Mesmo Bobby tornou-se menos visto, jantava em frente do televisor, rumava a sua erva e ouvia a sua música. «Eh, meu», disse-me ele, «eu nem sequer gosto da tua amiga! Ela está a destruir a nossa amizade, meu!»

«Tens razão, Bobby...»

1. Trocadilho entre strumpet e trumpet. (N. do T.)

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