Mulheres
«Sua cabeça de mosca», respondi, «vem cá…
«Sua cabeça de mosca», respondi, «vem cá tirar-me o algodão do umbigo!»
«Tu...», começou Tammie.
De repente houve vários tiros ali ao pé, na rua, ao fundo do jardim e por detrás do apartamento ao lado. Muito perto. Era um quarteirão pobre, com muitas prostitutas, tráfico de drogas, e de quando em quando um assassínio.
Dancy começou a gritar à janela, «HANK! HANK! SOBE, HANK! HANK! HANK! HANK! DEPRESSA, HANK!».
Subi as escadas quatro a quatro. Tammie estava deitada sobre a cama, com os seus magníficos cabelos ruivos espalhados na almofada. Ela viu-me.
«Fui atingida», disse a esmorecer. «Fui atingida.»
Apontou para uma mancha nosjeans. Não estava a brincar. Estava aterrorizada.
De facto, havia uma mancha vermelha, mas estava seca. Tammie gostava de usar as minhas tintas. Baixei-me e toquei na mancha seca. Ela estava bem, apesar de ter tomado speed.
«Escuta», disse-lhe eu, «não estás ferida, não te preocupes...»
Quando ia a sair pela porta, Bobby subia as escadas, com toda a velocidade. «Tammie, Tammie, o que se passa? Estás bem?»
Bobby teve, evidentemente, de se vestir, o que explicava o
seu atraso.
Afastou-se do meu caminho e eu disse-lhe: «Meu Deus, homem, estás sempre onde estou».
Ele entrou a correr no apartamento de Tammie, seguido pelo vizinho, um excêntrico vendedor de carros usados.
Alguns dias mais tarde, Tammie apareceu com um envelope.
«Hank, a administradora acaba de me enviar uma notificação de despejo.»
Mostrou-me a carta.
Li-a com atenção. «Parece que é a sério», disse eu.
«Disse-lhe que pagava a renda em atraso, mas ela respondeu-me: ”Nós não a queremos cá, Tammie!”.»
«Não devias tê-la feito esperar tanto tempo.»
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