Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 123 de 247

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Mulheres

«Sua cabeça de mosca», respondi, «vem cá…

«Sua cabeça de mosca», respondi, «vem cá tirar-me o algodão do umbigo!»

«Tu...», começou Tammie.

De repente houve vários tiros ali ao pé, na rua, ao fundo do jardim e por detrás do apartamento ao lado. Muito perto. Era um quarteirão pobre, com muitas prostitutas, tráfico de drogas, e de quando em quando um assassínio.

Dancy começou a gritar à janela, «HANK! HANK! SOBE, HANK! HANK! HANK! HANK! DEPRESSA, HANK!».

Subi as escadas quatro a quatro. Tammie estava deitada sobre a cama, com os seus magníficos cabelos ruivos espalhados na almofada. Ela viu-me.

«Fui atingida», disse a esmorecer. «Fui atingida.»

Apontou para uma mancha nosjeans. Não estava a brincar. Estava aterrorizada.

De facto, havia uma mancha vermelha, mas estava seca. Tammie gostava de usar as minhas tintas. Baixei-me e toquei na mancha seca. Ela estava bem, apesar de ter tomado speed.

«Escuta», disse-lhe eu, «não estás ferida, não te preocupes...»

Quando ia a sair pela porta, Bobby subia as escadas, com toda a velocidade. «Tammie, Tammie, o que se passa? Estás bem?»

Bobby teve, evidentemente, de se vestir, o que explicava o

seu atraso.

Afastou-se do meu caminho e eu disse-lhe: «Meu Deus, homem, estás sempre onde estou».

Ele entrou a correr no apartamento de Tammie, seguido pelo vizinho, um excêntrico vendedor de carros usados.

Alguns dias mais tarde, Tammie apareceu com um envelope.

«Hank, a administradora acaba de me enviar uma notificação de despejo.»

Mostrou-me a carta.

Li-a com atenção. «Parece que é a sério», disse eu.

«Disse-lhe que pagava a renda em atraso, mas ela respondeu-me: ”Nós não a queremos cá, Tammie!”.»

«Não devias tê-la feito esperar tanto tempo.»

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