Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 72 de 247

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Mulheres

«Sim. Sabes a que horas chega o avião?»

«Sei. Estarei lá.»

Despedimo-nos. Ela vinha, vinha para ficar pelo menos uma semana, com o seu rosto, o seu corpo, os seus cabelos, os seus olhos, o sorriso...

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Saí do bar e consultei o quadro das chegadas. O avião vinha a horas e Katherine, no ar, vinha ao meu encontro. Sentei-me à espera. À minha frente, uma mulher elegante lia um belo livro de bolso. A sua saia estava levantada até às coxas, mostrando o flanco, a perna envolta em nylon. Porque insistiu ela em fazer aquilo? Eu tinha um jornal, mas olhava para cima, para as coxas. Tinha umas coxas soberbas. Quem gozava com aquilo? Sentia-me idiota a olhar por entre as suas coxas, mas não conseguia evitar. Era bem feita. Tinha sido uma rapariguinha e um dia estaria morta, mas agora mostrava-me as pernas. Pernão dos diabos, dava-lhe cem, dava-lhe dezassete centímetros de palpitações violáceas! Cruzou as pernas e a saia subia um pouco mais. Levantou os olhos do livro. O seu olhar encontrou o meu, por cima do jornal. O seu rosto era inexpressivo. Tirou da carteira uma caixa de pastilhas elásticas, tirou o papel e pôs uma pastilha na boca. Uma pastilha verde. Ela mascava, eu olhava para a sua boca. Não baixou a saia. Sabia que eu estava a olhar. Eu não podia fazer nada. Abri o meu porta-moedas e tirei duas notas de cinquenta dólares. Ela levantou os olhos, viu as notas e baixou-os.

Depois um homem gordo veio pôr-se ao meu lado. O seu rosto era muito vermelho e tinha um nariz enorme. Vestia um fato de montar castanho-claro. Peidou-se. A mulher baixou a saia e eu pus as notas na carteira. Desentesei-me e levantei-me para ir beber à fonte.

Na pista de aterragem o avião de Katherine estacionava perto da rampa de saída. Fiquei à espera. Katherine, adoro-te.

Katherine desceu a rampa, soberba, com os seus cabelos ruivos, corpo elegante, um vestido azul apertado, sapatos brancos,

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