Mulheres
caixas tinham desaparecido. Fiz um novo monte,…
caixas tinham desaparecido. Fiz um novo monte, toquei a campainha e pirei-me como um míssil.
Ao terceiro carregamento, quando cheguei, já tinha desaparecido o segundo. Fiz um novo monte e toquei a campainha. Parti quando já amanhecia.
Já em casa, servi-me de um vodka com água e olhei para o que restou. Havia a pesada cadeira de rotim e o secador de cabelo. Só podia fazer mais uma leva. Ou ia a cadeira ou o secador. O carro não podia levar as duas coisas.
Decidi-me pela cadeira. Eram quatro horas da manhã. Parei em segundas vias e liguei o pisca-pisca. Acabei de beber o vodka. Estava a ficar cansado e bêbedo. Agarrei na cadeira, era mesmo pesada, e levei-a pela álea até ao carro. Pousei-a, abri a porta direita da frente. Empurrei a cadeira lá para dentro. Depois tentei fechar a porta. A cadeira ficava de fora. Tentei tirá-la. Estava presa. Amaldiçoei-a e empurrei-a para dentro. Uma das pernas atravessou o pára-brisas, virada para o céu. A porta continuava a não fechar. Tentei tirar a perna da cadeira pelo pára-brisas para poder fechar a porta. Não se mexeu. A cadeira estava bem presa. Tentei tirá-la. Não se mexeu. Desesperado, empurrava, puxava, empurrava e puxava. Se a polícia aparecesse, eu estava lixado. Passado algum tempo, cansei-me. Sentei-me ao volante. Não havia um lugar vago na rua. Levei o carro para o parque de estacionamento da pizzaria, com a porta aberta, a bater. Deixei-o ficar ali, com a porta aberta e a luz acesa. (Era impossível apagá-la.) O pára-brisas estava partido e a perna da cadeira bem visível ao luar. Era um espectáculo indecente, louco. Sugeria homicídio. Meu belo carro.
Desci a rua em direcção a minha casa. Servi-me doutro vodka com água e telefonei a Tammie.
«Escuta, querida, estou numa alhada. A tua cadeira está presa no meu pára-brisas e é impossível metê-la ou tirá-la e a porta não fecha. O pára-brisas está partido. O que posso fazer? Ajuda-me, por amor de Deus!»
«Hás-de encontrar alguma solução, Hank.»
Ela desligou.