Mulheres
pousei tudo e dirigi-me à loja. Comprei…
pousei tudo e dirigi-me à loja. Comprei duas barras de chocolate para que ela pudesse escolher. Quando regressava, um preto enorme dirigia-se para o pequeno monte. Estava um dia frio mas ele tinha tirado a camisa. O seu corpo era musculoso. Parecia andar pela casa dos vinte. Andava muito lentamente e direito. Tinha um pescoço comprido e elegante e uma argola de ouro na orelha esquerda. Passou em frente de Lydia, caminhando sobre a areia que separava o montículo do oceano.
«Viste aquele tipo?», perguntou-me.
«Sim.»
«Meu Deus; e aqui estou eu contigo, e tu com mais vinte anos do que eu. Eu poderia ter um tipo assim. O que é que se passa comigo?»
«Toma. Tens aqui duas barras de chocolate. Escolhe uma.»
Ela escolheu uma, arrancou o papel, deu uma trinca e olhou para o jovem negro enquanto ele andava pela praia.
«Estou cansada da praia», disse, «vamos para minha casa.»
Não nos vimos durante uma semana. Depois, numa tarde, passei por casa de Lydia. Estávamos a beijar-nos, na sua cama. Lydia afastou-se.
«Tu não sabes nada sobre mulheres, pois não?»
«O que queres dizer?»
«O que quero dizer é que, lendo os teus poemas e as tuas histórias, vê-se que não sabes nada sobre mulheres.»
«Diz-me mais coisas.»
«Pois bem, para que um homem me interesse, tem de me comer a gata. Já alguma vez comeste uma gata?»
«Não.»
«Tens mais de cinquenta anos e nunca comeste uma gata?»
«Não.»
«Ê muito tarde.»
«Porquê?»
«Não consegues ensinar novos truques a um cão velho.»
«Claro que posso.»
«Não, é muito tarde para ti.»
«Sempre fui um lento corredor.»
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