Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 244 de 247

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Mulheres

«Como vai isso?», perguntei.

«Essa puta já se foi?»

«Já.»

«Há quanto tempo.»

«Acabei de deixá-la no aeroporto.»

«Gostaste dela?»

«Tinha algumas qualidades.»

«Tu ama-la?»

«Não. Escuta, gostaria de estar contigo.»

«Não sei. Foi muito difícil para mim. Como é que sei que não voltas a fazer o mesmo?»

«Ninguém tem a certeza do que poderá fazer. Não tens a certeza de que possas vir a fazer.»

«Eu sei o que sinto.»

«Escuta, nem sequer te pergunto o que andaste a fazer, Sara.»

«Obrigado, és muito simpático.»

«Gostava de estar contigo. Hoje à noite. Vem até cá.»

«Hank, eu ainda não sei...»

«Vem cá. Apenas para conversar.»

«Ainda estou perturbada. Foi um verdadeiro inferno.»

«Escuta, deixa-me esclarecer as coisas: para mim, és a número um e nem sequer existe a número dois.»

«Está bem. Estarei aí por volta das sete. Olha, tenho dois clientes à espera...»

«OK. Até logo às sete.»

Desliguei. Sara era mesmo uma boa alma. Perdê-la por uma Tanya era absurdo. Contudo, Tanya tinha-me dado alguma coisa. Sara merecia ser mais bem tratada do que até ali. As pessoas deviam ser leais umas com as outras, mesmo que não fossem casadas. Em certa medida, a confiança devia ser mais profunda, porque não era santificada pela lei.

Bem, precisávamos de vinho, de um bom vinho branco.

Saí, entrei no Volks, e fui à loja das bebidas ao lado do supermercado. Gosto de mudar de lojas de bebidas frequentemente, porque se frequentamos a mesma loja dia e noite e compramos em grande quantidade, os empregados passam a conhecer os nossos hábitos. Eu pressentia que eles se interroga-

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