Mulheres
«Como vai isso?», perguntei.
«Essa puta já se foi?»
«Já.»
«Há quanto tempo.»
«Acabei de deixá-la no aeroporto.»
«Gostaste dela?»
«Tinha algumas qualidades.»
«Tu ama-la?»
«Não. Escuta, gostaria de estar contigo.»
«Não sei. Foi muito difícil para mim. Como é que sei que não voltas a fazer o mesmo?»
«Ninguém tem a certeza do que poderá fazer. Não tens a certeza de que possas vir a fazer.»
«Eu sei o que sinto.»
«Escuta, nem sequer te pergunto o que andaste a fazer, Sara.»
«Obrigado, és muito simpático.»
«Gostava de estar contigo. Hoje à noite. Vem até cá.»
«Hank, eu ainda não sei...»
«Vem cá. Apenas para conversar.»
«Ainda estou perturbada. Foi um verdadeiro inferno.»
«Escuta, deixa-me esclarecer as coisas: para mim, és a número um e nem sequer existe a número dois.»
«Está bem. Estarei aí por volta das sete. Olha, tenho dois clientes à espera...»
«OK. Até logo às sete.»
Desliguei. Sara era mesmo uma boa alma. Perdê-la por uma Tanya era absurdo. Contudo, Tanya tinha-me dado alguma coisa. Sara merecia ser mais bem tratada do que até ali. As pessoas deviam ser leais umas com as outras, mesmo que não fossem casadas. Em certa medida, a confiança devia ser mais profunda, porque não era santificada pela lei.
Bem, precisávamos de vinho, de um bom vinho branco.
Saí, entrei no Volks, e fui à loja das bebidas ao lado do supermercado. Gosto de mudar de lojas de bebidas frequentemente, porque se frequentamos a mesma loja dia e noite e compramos em grande quantidade, os empregados passam a conhecer os nossos hábitos. Eu pressentia que eles se interroga-
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