Mulheres
«Nós achamos os seus livros tristes e divertidos», disse Gertrude.
«Obrigado.»
Preparei três vodkas 7. Bem cheios para elas, bem cheio para mim.
«Vamos a caminho de Nova Iorque. Pensámos em passar por aqui», disse Gertrude.
Elas vinham do México. Falavam bem inglês. Gertrude era a mais pesada, talvez a mais rechonchuda; toda ela era peitos e eu. Hilda era magra, parecia estar tensa... obstipada e esquisita, mas sedutora.
Cruzei as pernas enquanto bebia. O meu roupão entreabriu-se.
«Oh», disse Gertrude, «tens umas pernas sexy!
«Sim», disse Hilda.
«Eu sei.»
Ficaram ali a beber comigo. Fui preparar mais três. Ao voltar a sentar-me, certifiquei-me de que o roupão me cobria decentemente.
«Se quiserem podem cá ficar durante alguns dias.»
Não responderam.
«Se não quiserem não fiquem. Não há problema. Podemos conversar um bocado. Não quero pedir-vos nada.»
«Aposto que conheces muitas mulheres», disse Hilda. «Nós lemos os teus livros.»
«Eu escrevo ficção.»
«O que é ficção?»
«Ficção é um aperfeiçoamento da vida.»
«Queres dizer que mentes?», perguntou Gertrude.
«Um pouco. Não muito.»
«Tens namorada?», perguntou Hilda.
«Não. Agora não.»
«Nós ficamos», disse Gertrude.
«Só há uma cama.»
«Não há problema.»
«Mais uma coisa.»
«O quê?»
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