Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 66 de 247

Páginas do PDF

Mulheres

sa-de-banho. O sangue corria sobre os ladrilhos,…

sa-de-banho. O sangue corria sobre os ladrilhos, deixava em todo o lado marcas de pés vermelhas.

Bateram à porta e deixei entrar Bobby. «Meu Deus, o que aconteceu, homem?»

«E a MORTE. Estou a esvair-me até morrer...»

«Ê melhor fazeres qualquer coisa a essa perna.»

Valerie bateu à porta. Abri-lhe a porta. Ela gritou. Servi-lhes um copo e preparei outro para mim. O telefone tocou. Era Lydia.

«Lydia querida, estou a esvair-me em sangue!»

«Ê mais uma das tuas fitas dramáticas?»

«Não. Pergunta a Valerie.»

Valerie agarrou no telefone. «É verdade, ele abriu o tornozelo. Há sangue por todo o lado e ele recusa-se a fazer o que quer que seja. Seria melhor vires cá...»

Quando Lydia chegou eu estava sentado no sofá. «Olha, Lydia, A MORTE!» Veios minúsculos dependuravam-se da ferida como esparguete. Arranquei alguns. Agarrei no meu cigarro e deitei a cinza na ferida. «Eu sou um HOMEM! Merda, eu sou um HOMEM!»

Lydia saiu e trouxe água oxigenada e deitou-a sobre a ferida. Era engraçado. Da ferida saiu espuma branca. Aquilo crepitava e fazia bolhinhas. Lydia deitou um pouco mais.

«E melhor ires ao hospital», disse Bobby.

«Não preciso da merda do hospital. Isto há-de curar-se por si...»

Na manhã seguinte a ferida estava horrível. Ainda estava aberta e parecia estar a formar uma bonita crosta. Fui à farmácia comprar mais água oxigenada, algumas ligaduras e sulfato de magnésio. Comecei a imaginar-me com uma só perna. Isso trazia algumas vantagens:

HENRYCHINASKI É, SEM DÚVIDA ALGUMA, O MAIOR POETA UNIJÂMBICO DO MUNDO.

À tarde, Bobby passou por lá. «Sabes quanto custa amputar uma perna?»

96