Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 46 de 247

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Mulheres

«Estive quase a enlouquecer, a dor foi horrível...»

«Eu quero torná-la mais fácil. Foi por isso que vim. Talvez seja idiota, mas não acredito na crueldade gratuita...»

«Não imaginas por que passei...»

«Imagino, sim. Também passei por isso.»

«Queres uma bebida?», perguntou.

Agarrei na garrafa vazia e pousei-a tristemente.

«Há muita frieza neste mundo», disse eu. «Se as pessoas aceitassem falar nos seus problemas, isso facilitava as coisas.»

«Fica comigo, Hank. Não voltes para ela, por favor. Por favor. Vivi o suficiente para saber como tornar-me numa mulher prestável. Sabes isso. Serei boa para ti, só para ti.»

«Estou preso a Lydia. Não consigo explicar.»

«Ela é uma leviana. É impulsiva. Ela deixar-te-á.»

«Talvez seja por isso que ela me atrai.»

«Tu queres uma puta. Tens medo do amor.»

«Talvez tenhas razão.»

«Beija-me. Será muito pedir-te que me beijes?»

«Não.»

Estendi-me ao lado dela. Beijámo-nos. A boca dela cheirava a vómito. Ela beijou-me, beijámo-nos, apertava-me contra ela. Desembaracei-me o mais gentilmente possível.

«Hank, fica comigo! Não voltes para ela! Repara, tenho pernas bonitas»

Dee Dee levantou uma perna para ma mostrar.

«E tenho bonitos tornozelos! Olha!» Mostrou-me os tornozelos.

Eu estava sentado na borda da cama. «Não posso ficar contigo, Dee Dee.» Ela sentou-se e começou a bater-me. Os seus punhos eram duros como pedra. As suas duas mãos esmurravam-me. Continuei sentado sem me mexer. Atingiu-me acima do olho, no olho, na testa e nas maçãs do rosto. «Oh, tu, meu cabrão! Cabrão, cabrão, cabrão! ODEIO-TE!»

Agarrei-lhe nos punhos. «Pronto, Dee Dee, já chega.» Caiu na cama quando me levantei para partir. Atravessei o corredor e saí.

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