Mulheres
sido assediada, cortejada, aplaudida. Em Nova Iorque…
sido assediada, cortejada, aplaudida. Em Nova Iorque era diferente; é uma cidade cansada, deprimida e que desdenha a carne.
Fomos para a zona dos negros. Eles olhavam-nos: a ruiva de compridos cabelos, pedrada, e o velho com a barba cinzenta atrás dela, fatigado. Eu observava-os, sentado nos degraus; tinham caras simpáticas. Eu gostava deles. Gostava mais deles do que dela.
Segui Tammie até ao fundo da rua. Havia uma loja de mobílias. Em frente, no passeio, uma cadeira de secretária partida. Tammie dirigiu-se para a cadeira e ficou a olhá-la. Parecia hipnotizada.
Continuava a lixar a cadeira. Tocou-a com o dedo. Os minutos passavam. Depois, sentou-se nela.
«Olha», disse eu, «vou regressar ao hotel. Tu faz o que entenderes.»
Ela nem sequer levantou o olhar. As suas mãos deslizavam para a frente e para trás sobre os restos dos braços da cadeira. Ela estava no seu mundo. Dei meia volta e caminhei em direcção ao Chelsea.
Comprei alguma cerveja e subi de elevador. Despi-me, tomei um banho, pus duas almofadas entre a cabeça e a cabeceira da cama e bebi a cerveja. As leituras deitavam-me abaixo. Chupavam-me a alma. Acabei uma cerveja e abri outra. As leituras, por vezes, levam-nos a procurar uma tipa comestível. As estrelas do rock têm gajas comestíveis; os lutadores também; os toureiros têm virgens. Mas só os toureiros merecem isso.
Bateram à porta. Levantei-me para a entreabrir. Era Tammie. Empurrou a porta.
«Encontrei um judeu filho da puta. Queria doze dólares para aviar a receita! Na costa são só 6 notas. Disse-lhe que só tinha 6 dólares. Não quis saber. Um judeu porco a viver em Harlem! Posso beber uma cerveja?»
Tammie agarrou numa cerveja e sentou-se na janela, com uma perna dentro e a outra de fora, mantendo a janela aberta com o braço.
«Quero ver a Estátua da Liberdade. Quero ver Coney Island», disse ela.
155
Fui buscar outra cerveja.
«Oh, é gira a vista! É gira e suave.»
Tammie debruçou-se à janela, para ver.
Depois gritou.
A mão que tinha estado a segurar a janela escorregou. Vi quase todo o corpo a sair pela janela. Depois voltou. Conseguiu voltar para dentro. Sentou-se, atordoada.
«Esteve perto! Teria feito um bom poema. Perdi muitas mulheres de várias maneiras, mas esta teria sido nova.»
Tammie foi para a cama. Deitou-se de barriga para baixo. Apercebi-me de que ainda estava pedrada. De repente, caiu da cama. Aterrou de costas. Não se mexeu. Fui levantá-la e Pu-la de novo na cama. Agarrei-a pelo cabelo e beijei-a violentamente.
«Eh... o que estás a fazer?»
Lembrei-me de que ela havia prometido uma foda com as pernas no ar. Empurrei-a até ao fim da cama com o estômago para baixo, levantei-lhe o vestido, tirei-lhe as calcinhas. Subi para cima dela e tentei encontrar-lhe a cona. Fui metendo. Entrava cada vez mais. Já a tinha pronta. Ela fez pequenos sons. O telefone tocou. Tirei-a, levantei-me e atendi. Era Gary Benson.
«Vou para aí com o gravador para aquela entrevista para a rádio.»
«Quando?»
«Dentro de 45 minutos.»
Desliguei e virei-me para Tammie. Ainda estava teso.
Agarrei-lhe os cabelos e dei-lhe outro beijo violento. Os seus olhos estavam fechados, a boca sem vida. Montei-a de novo. Lá fora, eles estavam sentados nas escadas de incêndio. Quando o sol começava a desaparecer e apareciam as primeiras sombras, eles saíam para apanhar fresco. Os habitantes de Nova Iorque sentavam-se lá fora para beber cerveja, soda e água gelada. Eles aguentavam e fumavam cigarros. Apenas estar vivo era uma vitória. Decoravam as escadas de incêndio com plantas. Faziam-no com o que encontravam.
Meti-o até ao osso. Como um cão. Os cães têm sempre razão.
Era bom não estar nos correios. O seu corpo saltava e tremia.
156