Mulheres
eram iguais e as solas dos sapatos…
eram iguais e as solas dos sapatos estavam gastas. Eu detestava barbeiros e por isso cortava eu o meu cabelo, quando não tinha uma mulher para o fazer. Não gostava de fazer a barba, nem gostava dela comprida e por isso cortava-a com tesoura, de duas em duas ou de três em três semanas. A minha vista era má, mas não gostava de usar óculos senão para ler. Os dentes eram meus, mas restavam poucos. O meu rosto e nariz eram vermelhos por causa da bebida, a luz feria-me os olhos e por isso franzia as pálpebras. (Eu havia de ter um sítio não importa em que cidade.)
«Esperávamos uma pessoa completamente diferente», disse Cecelia.
«Ah, sim?»
«Quero dizer, a tua voz é tão suave e pareces simpático. Bill esperava que desembarcasses bêbedo, a blasfemar, a engatar todas as mulheres...»
«Nunca exibo a minha vulgaridade. Espero o momento certo.»
«Lês amanhã à noite», disse Bill.
«Óptimo, vamo-nos divertir esta noite e esquecer tudo.»
Partimos.
Nessa noite, Keesing foi tão interessante como as suas cartas e poemas. Teve o bom senso de não falar em literatura, a não ser uma vez por outra. Falámos sobre outras coisas. Pessoalmente não tinha muita sorte com os poetas, mesmo quando as suas cartas e poemas eram bons. Encontrei-me com Douglas Fazzick e foi uma decepção. O melhor era estar longe dos escritores e fazer, ou não, o seu trabalho.
Cecelia retirou-se cedo. Tinha de ir trabalhar no dia seguinte. «Cecelia pediu-me o divórcio», disse Bill. «Não a culpo. Está farta das minhas drogas, das minhas doenças, de tudo. Aturou-me durante anos. Agora, já não suporta. Já não consigo foder com ela. Ela anda com um rapaz. Não a culpo. Mudei-me, arranjei um quarto. Podemos ir lá dormir, ou vou só eu e tu ficas aqui, ou ficamos aqui os dois, como queiras.»
Keesing tirou dois comprimidos e tomou-os.
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