Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 33 de 247

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Mulheres

Ela tem dois filhos e um cão,…

Ela tem dois filhos e um cão, e são bem comportados. Deixa mudarem-se para cá?»

«Já vi essa mulher. Ainda não reparou nos seus olhos? Ela é maluca.»

«Bem sei que é maluca. Mas preocupo-me com ela. Tem boas qualidades, a sério.»

«Ela é muito nova para si. O que é que você vai fazer com uma mulher tão nova assim?»

Ri-me.

Mr. O’Keefe apareceu por trás da mulher. Olhou-me através da porta de rede. «É uma fodilhona de primeira, é tudo. É só isso, é uma fodilhona de primeira.»

«O que tem isso?», perguntei.

«Está bem», disse Mrs. O’Keefe. «Que venha...»

Lydia alugou uma camioneta e ajudei-a a mudar-se. Era sobretudo roupas, todas as cabeças que tinha esculpido e uma enorme máquina de lavar.

«Não gosto de Mrs. O’Keefe», disse-me ela. «O marido parece simpático, mas não gosto dela.»

«É uma boa católica. E tu precisas dum sítio para viver.»

«Não te quero a beber com aquela gente. Querem destruir-te.»

«Só pago oitenta e cinco dólares de renda. Eles tratam-me como um filho. Tenho que beber uma cerveja com eles de vez em quando.»

«Filho, uma merda\ Es tão velho quanto eles.»

Passaram-se quase três semanas. Era um fim de manhã de sábado. Não tinha ido dormir na noite anterior a casa de Lydia. Tomei banho, bebi uma cerveja e vesti-me. Detestava os fins-de-semana. Estava toda a gente nas estradas. Jogavam pingue-pongue ou aparavam a relva, limpavam os canos ou iam ao supermercado, iam para a praia ou para o parque. Gente por todo o lado. Segunda-feira era o meu dia preferido. Toda a gente regressava ao trabalho e tornava-se invisível. Decidi ir às corridas de cavalos, apesar da multidão. Talvez ajudasse a matar o sábado. Comi um ovo cozido, bebi outra cerveja, saí e fechei a porta à chave. Lydia estava cá fora a brincar com o cão, Bugbutt.

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