Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 225 de 247

Páginas do PDF

Mulheres

quena luz que lhes permite ver se…

quena luz que lhes permite ver se tens ou não cancro. A serpente é enorme. Eles enfiam-na dentro de ti.»

O telefone voltou a tocar. Fui atender. Era Cassie.

«Como tens passado?»

«Sara e eu estamos a preparar um peru.»

«Sinto a tua falta.»

«Desejo-te um feliz Natal. Como vai o trabalho?»

«Bem. Estou de férias até ao dia 2 de Janeiro.»

«Feliz Ano Novo, Cassie!»

«O que se passa contigo?»

«Estou um pouco alegre, não estou habituado a beber vinho branco logo de manhã.»

«Telefona-me um dia destes.»

«Com certeza.»

Voltei para a cozinha.

«Era Cassie. As pessoas no Natal telefonam. Talvez o Drayer Baba telefone.»

«De certeza que não.»

«Porquê?»

«Ele nunca fala alto. Ele nunca fala e nunca tocou em dinheiro.»

«E muito bom. Deixa-me provar essa farsa crua.»

«OK.»

«Diz - nada mal!»

O telefone voltou a tocar. Era sempre assim. Tocava uma vez e nunca mais parava. Fui para o quarto e atendi.

«Está», disse eu. «Quem fala?»

«Seu filho da puta. Não sabes?»

«Não, não sei.» Era uma mulher bêbeda.

«Adivinha.»

«Espera. Já sei! É a Iris!»

«Sim, íris. E estou grávida!»

«Sabes quem é o pai?»

«Que diferença é que faz?»

«Acho que tens razão. Como estão as coisas em Vancouver?»

«Bem. Adeus.»

291