Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 11 de 247

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Mulheres

pareciam de um castanho mais escuro que…

pareciam de um castanho mais escuro que o habitual, e ao sol, assim que abriu a porta, reparei no tom ruivo dos seus cabelos escuros. Foi surpreendente. Deixou-me beijá-la, fechou a porta à chave e fomos para o meu carro. Tínhamos decidido ir à praia

- não para tomar banho, estávamos em pleno Inverno - mas para passar tempo.

Fomos andando. Era bom ter Lydia no carro ao pé de mim.

«Aquilo é que foi uma festa», disse ela. «Chamas àquilo uma festa de colagens? Foi uma festa de copulação, foi o que foi. Uma festa de copulação!»

Eu conduzia com uma mão e pousei a outra no interior da coxa dela. Não consegui evitar. Lydia fez como se nada fosse. À medida que guiava a minha mão avançava por entre as suas pernas. Ela continuava a falar. De repente, disse:

«Tira a mão da minha gata!»

«Desculpa», respondi.

Nenhum de nós falou até chegarmos ao parque de estacionamento da praia Venice. «Queres uma sanduíche e uma Coca ou outra coisa?», perguntei-lhe. «Está bem», respondeu.

Entrámos numa pequena charcutaria de judeus para fazermos as compras, que levámos para um pequeno monte coberto de ervas, sobranceiro ao mar.

Tínhamos sanduíches, pickles, batatas fritas e bebidas sem álcool. A praia estava quase deserta e a comida estava boa.

Lydia estava calada. Comia tão depressa que fiquei espantado. Trincava selvaticamente a sanduíche, dava grandes goladas de Coca, numa trincadela comia metade dos pickles e enchia a mão com batatas fritas. Eu, pelo contrário, sou muito lento

a comer.

Paixão, pensei, é a paixão.

«Que tal essa sanduíche?», perguntei.

«Bastante boa. Eu estava com fome.»

«Eles fazem boas sanduíches. Queres mais alguma coisa?»

«Sim, queria uma barra de chocolate.»

«De que marca?»

«Oh, qualquer uma. Mas que seja boa.»

Dei uma dentada na minha sanduíche, um trago de Cola,

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