Mulheres
Fomo-nos sentar no banco de Tyrone, ao…
Fomo-nos sentar no banco de Tyrone, ao lado da sua sepultura. Depois levantámo-nos para ir visitar a de Douglas Fairbanks Sénior. Era bonita. Com uma piscina em frente, que reflectia a sepultura. A piscina estava coberta de nenúfares e girinos. Subimos algumas escadas e atrás da sepultura havia um lugar para nos sentarmos. Sentámo-nos. Reparei numa brecha na parede do túmulo com pequenas formigas encarnadas que saíam e entravam. Olhei para elas durante algum tempo e depois abracei-me a Dee Dee e dei-lhe um longo beijo, íamos ser bons amigos.
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Dee Dee tinha de ir esperar o seu filho ao aeroporto. Ele vinha de Inglaterra, de férias. Tinha dezassete anos, disse-me ela, e o pai fora pianista. Mas viciou-se em speed e cocaína, e mais tarde queimou os dedos num acidente. Nunca mais pôde tocar piano. Divorciaram-se há já algum tempo.
O filho chamava-se Renny. Dee Dee tinha-lhe falado de mim aquando de várias conversas transatlânticas ao telefone. Chegámos ao aeroporto no momento em que os passageiros do voo de Renny desembarcavam. Dee Dee e Renny abraçaram-se. Ele era alto, magro e pálido. Uma mecha de cabelo cobria-lhe um dos olhos. Apertámos as mãos.
Fui buscar a bagagem enquanto eles conversavam. Ele chamava-lhe «Mamã». Quando regressámos ao carro, ele sentou-se atrás e disse: «Mamã, compraste-me a bicicleta?».
«Já a encomendei. Vamos buscá-la amanhã.»
«E uma boa bicicleta, mamã? Quero uma com dez velocidades, travão de mão e pedais com correias.»
«É uma óptima bicicleta, Renny.»
«Tens a certeza que ela há-de lá estar?»
Fomos para casa dela. Passei lá a noite. Renny tinha o seu quarto.
Na manhã seguinte, sentámo-nos todos na cozinha à espera que a criada chegasse. Por fim, Dee Dee levantou-se para nos
60 preparar o pequeno-almoço. Renny perguntou: «Mamã, como se parte um ovo?». Dee Dee olhou para mim. Sabia o que eu estava a pensar. Não abri a boca.
«Vem cá, Renny, para eu te mostrar.»
Renny aproximou-se dela. Dee Dee agarrou num ovo.
«Vês, basta partires a casca na borda da frigideira... assim... e deixar cair o ovo na frigideira... assim...»
«Oh...»
«É simples.»
«E como se cozinha?»
«Fritando-o em manteiga.»
«Mamã, eu não quero esse ovo.»
«Porquê?»
«Porque a gema partiu-se.»
Dee Dee virou-se e olhou para mim. Os seus olhos diziam: «Hank, não digas nada, por favor...».
Alguns dias mais tarde encontrámo-nos de novo à mesa do pequeno-almoço. Comíamos enquanto a criada trabalhava. Dee disse a Renny: «Já tens a bicicleta. Quero que vás buscar uma embalagem de Coca-Cola. Quando chegar a casa pode apetecer-me beber uma ou duas».
«Mas, mamã, as Coca-Cola são pesadas! Não podes tu trazê-las?»
«Renny, trabalho todo o dia e fico cansada. Vais tu buscá-las.»
«Mas, mamã, há uma colina. Tenho que pedalar para trepar a colina.»
«Não há colina nenhuma. Qual colina?»
«Não consegues vê-la com os teus olhos, mas existe...»
«Renny, vais buscar as Coca-Cola, entendeste?» Renny levantou-se, foi para o seu quarto e fechou a porta. Dee Dee desviou o olhar. «Ele está a experimentar-me. Quer saber se gosto dele.»
«Vou eu buscá-las», disse eu.
«Não há problema, vou eu buscá-las», respondeu ela.
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