Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 58 de 247

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Mulheres

Adormecemos ou fingimos adormecer. Por fim consegui...

«OK.»

Adormecemos ou fingimos adormecer. Por fim consegui...

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Mindy ficou cerca de uma semana. Apresentei-a aos meus amigos, íamos a vários sítios. Mas nada foi resolvido. Eu não conseguia vir-me. Ela parecia não importar-se. Era estranho.

Uma noite, por volta das onze menos um quarto, Mindy estava na sala da frente a beber e a ler uma revista. Eu estava deitado na cama em calções, bêbedo, a fumar, com um copo pousado na cadeira. Eu olhava para o tecto azul, sem sentir nem pensar.

Bateram à porta da entrada. Mindy disse: «Posso ir abrir?». «Claro, vai.»

Ouvi Mindy abrir a porta. Depois ouvi a voz de Lydia. «Só vim para ver a concorrência.»

Oh!, pensei, isto é óptimo. Vou oferecer-lhes um copo e bebemos e conversamos todos juntos. Gosto que as minhas mulheres se entendam.

Ouvi depois Lydia dizer: «És muito jeitosa, não és?». Ouvi Mindy gritar. Depois Lydia. Ouvi barulhos de luta, grunhidos e copos a voar. A mobília estava virada. Mindy gritou outra vez - o grito de quem está a ser atacada. Lydia gritou um tigre-fêmea ao ataque. Saltei da cama. Ia separá-las. Corri em calções para a sala da frente. Puxavam os cabelos, cuspiam, arranhavam, uma cena triste. Corri para ir separá-las. Tropecei num dos meus sapatos e caí pesadamente sobre o tapete. Mindy fugiu de casa e Lydia seguiu-lhe atrás. Correram do passeio para a rua. Ouvi outro grito.

Passaram-se alguns minutos. Levantei-me e fechei a porta. Evidentemente que Mindy tinha fugido, porque de repente entrou Lydia. Sentou-se numa cadeira perto da entrada. Olhou para mim.

«Desculpa. Mijei-me.»

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