Mulheres
«Por favor, senhor, volte para o seu lugar. Vamos aterrar.»
«Escute, estou preocupado. A minha namorada não acorda.»
«Acha que ela está morta?», murmurou ela.
«Não sei», sussurrei em resposta.
«Está bem. Assim que aterrarmos vou lá.»
O avião começou a descer. Fui até à retrete e molhei algumas toalhas de papel. Voltei a sentar-me ao lado de Tammie e esfreguei-lhe a cara. Desapareceu toda a maquilhagem. Tammie não reagiu.
«Acorda, sua puta!»
Pus as toalhas entre os seus seios. Nada. Nenhum gesto. Desisti. Teria de enviar o seu corpo para L. A. Teria de dar explicações à mãe. Vai odiar-me.
Aterrámos. Os passageiros levantaram-se e fizeram bicha para descer. Continuei sentado. Abanei-a e belisquei-a. «É Nova Iorque, Ruiva. A maçã podre. Acaba com essa merda.»
A hospedeira veio e abanou Tammie.
«O que se passa, querida?»
Tammie começou a reagir. Mexeu-se. Depois abriram-se-lhe os olhos. Só por causa duma nova voz. Ninguém dá atenção a uma voz familiar. As vozes familiares tornam-se parte integrante da pessoa, como uma unha.
Tammie tirou o espelho e começou a pentear-se. A hospedeira dava-lhe pancadinhas no ombro. Levantei-me para tirar os vestidos do compartimento por cima de nós. Os sacos também lá estavam. Tammie continuou a olhar-se ao espelho e a pentear-se.
«Tammie, estamos em Nova Iorque. Vamos sair.»
Levantou-se logo. Eu levava os dois sacos e os vestidos. Ela saiu do avião a abanar o traseiro. Segui-a.
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Gary Benson, o nosso homem, esperava-nos. Também escrevia poesia e guiava um táxi. Era bastante gordo, mas pelo menos não parecia um poeta, nem tinha o estilo North Beach ou
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