Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 109 de 247

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Mulheres

«Por favor, senhor, volte para o seu lugar. Vamos aterrar.»

«Escute, estou preocupado. A minha namorada não acorda.»

«Acha que ela está morta?», murmurou ela.

«Não sei», sussurrei em resposta.

«Está bem. Assim que aterrarmos vou lá.»

O avião começou a descer. Fui até à retrete e molhei algumas toalhas de papel. Voltei a sentar-me ao lado de Tammie e esfreguei-lhe a cara. Desapareceu toda a maquilhagem. Tammie não reagiu.

«Acorda, sua puta!»

Pus as toalhas entre os seus seios. Nada. Nenhum gesto. Desisti. Teria de enviar o seu corpo para L. A. Teria de dar explicações à mãe. Vai odiar-me.

Aterrámos. Os passageiros levantaram-se e fizeram bicha para descer. Continuei sentado. Abanei-a e belisquei-a. «É Nova Iorque, Ruiva. A maçã podre. Acaba com essa merda.»

A hospedeira veio e abanou Tammie.

«O que se passa, querida?»

Tammie começou a reagir. Mexeu-se. Depois abriram-se-lhe os olhos. Só por causa duma nova voz. Ninguém dá atenção a uma voz familiar. As vozes familiares tornam-se parte integrante da pessoa, como uma unha.

Tammie tirou o espelho e começou a pentear-se. A hospedeira dava-lhe pancadinhas no ombro. Levantei-me para tirar os vestidos do compartimento por cima de nós. Os sacos também lá estavam. Tammie continuou a olhar-se ao espelho e a pentear-se.

«Tammie, estamos em Nova Iorque. Vamos sair.»

Levantou-se logo. Eu levava os dois sacos e os vestidos. Ela saiu do avião a abanar o traseiro. Segui-a.

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Gary Benson, o nosso homem, esperava-nos. Também escrevia poesia e guiava um táxi. Era bastante gordo, mas pelo menos não parecia um poeta, nem tinha o estilo North Beach ou

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