Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 142 de 247

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À noite, consegui que Cecelia bebesse dois…

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À noite, consegui que Cecelia bebesse dois ou três copos. Ela esqueceu-se e cruzou as pernas de modo que me permitiu descobrir um par de óptimas coxas. Sólidas. Uma mulher que é uma vaca, com tetas de vaca e olhos de vaca. Keesing tinha tido bom olho.

Ela era contra a matança de animais e não comia carne. Acho que ela tinha carne suficiente. Era tudo bonito, disse-me ela, tínhamos toda a beleza do mundo e tudo o que tínhamos a fazer era estender a mão e tocar, estava tudo ali e tudo era nosso.

«Tens razão, Cecelia», disse eu. «Toma outro copo.»

«Faz-me virar a cabeça.»

«Não há mal nisso.»

Cecelia cruzou outra vez as pernas e surgiram as suas coxas. Viam-se mais do que da última vez.

Bill, já não a podes tocar. Foste um bom poeta, Bill, mas, meu Deus, deixaste muito mais do que a tua escrita. E os teus textos nunca tiveram coxas como estas.

Cecelia bebeu outro copo e parou. Eu continuei.

Donde vinham todas estas mulheres? A reserva parecia não ter fim. Cada uma delas tinha uma particularidade, era diferente. As suas ratas eram diferentes, mas nenhum homem podia esgotar o lote, havia muitas, a cruzarem as pernas, a porem os homens doidos. Que festa!

«Quero ir à praia. Levas-me à praia, Hank?»

«Esta noite?»

«Não, esta noite, não. Mas antes de me ir embora.»

«Está bem.»

Cecelia falou sobre os abusos cometidos em relação aos índios americanos. Disse-me que escrevia, mas nunca dava nada a ler, tinha os textos num caderno. Bill tinha-a encorajado e ajudado em algumas coisas. Ela ajudou-o a entrar para a universidade. Claro que também a bolsa G. L o tinha ajudado. E houve sempre a codeína, ele esteve sempre preso à codeína. Ela ameaçara deixá-lo várias vezes, mas não lhe serviu de nada. E agora... «Bebe, Cecelia, ajuda-te a esquecer.»

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