Mulheres
com uma franja à volta do pescoço.…
com uma franja à volta do pescoço. O seu peito era mesmo bom. Eu disse-lhe: «Gostaria de arrancar essa franja do seu casaco podíamos começar por aí!». Lydia afastou-se. Não tinha pegado. Eu nunca sabia o que dizer às mulheres. Mas ela tinha cá um traseiro. O fundo das suas calças de ganga moldavam-no na perfeição, e eu continuava a fixá-lo enquanto ela se afastava.
Acabei a segunda parte da leitura e esqueci Lydia exactamente como me esquecia das mulheres com que me cruzava na rua. Recolhi o meu dinheiro, escrevi em alguns guardanapos, alguns bocados de papel e depois fui de carro para casa.
Nessa altura ainda passava noites a trabalhar no meu romance. Nunca começava a trabalhar antes das 6 e 18 da tarde. Dantes, a essa hora, estava eu a carimbar e a selar no terminal dos Correios. Eram 6 horas da tarde quando Peter e Lydia Vance chegaram. Abri a porta. Peter disse: «Olha, Henry, olha o que eu te trouxe».
Lydia saltou para a mesa de café! As suas calças de ganga moldavam-na mais do que nunca. Ela sacudia para a esquerda e para a direita os seus longos cabelos castanhos. Era louca; era milagrosa. Pela primeira vez pus seriamente a hipótese de fazer amor com ela. Pôs-se a recitar poemas. Era muito mau. Peter tentou para-la: «Não! Não! Nada de poesia rimada na casa de Henry Chinaski!».
«Deixa-a continuar, Peter!»
Eu queria olhar para as suas nádegas. Ela fazia trepidar a velha mesa de café. Depois dançou. Agitava os braços. A poesia era péssima, mas não o corpo nem a sua loucura.
Lydia saltou para o chão.
«Gostaste, Henry?»
«De quê?»
«Da poesia.»
«Não muito.»
Lydia ficou imóvel com os poemas na mão. Peter agarrou-a. «Vamos foder!», disse-lhe. «Anda, vamos foder!»
Ela repeliu-o.
«Está bem», disse Peter. «Se assim é, vou-me embora!» «Então vai. Eu tenho o meu carro», disse Lydia. «Posso ir para casa sozinha.»
Peter correu para a porta. Parou e voltou-se. «Está bem, Chinaski! Mas não te esqueças do que eu te trouxe!» Bateu com a porta e lá se foi. Lydia sentou-se no sofá, ao pé da porta. Eu estava sentado a cerca de trinta centímetros dela. Olhei-a. Ela estava maravilhosa. Eu tinha medo. Estendi o braço para tocar os seus longos cabelos. O seu cabelo era mágico. Retirei a mão. «Todos esses cabelos são mesmo teus?», perguntei-lhe. Eu sabia que eram. «Sim», disse ela, «são meus.» Pus a mão sob o seu queixo, e muito desajeitadamente tentei virar a sua cara para a minha. Nestas situações nunca me sentia seguro. Beijei-a ao de leve.
Lydia saltou. «Tenho de me ir embora. Estou a pagar a uma baby sitter.»
«Ouve», disse eu, «fica. Pagarei eu. Fica mais um pouco.» «Não, não posso. Tenho que me ir embora.» Dirigiu-se para a porta. Eu segui-a. Abriu a porta. Depois voltou-se. Pela última vez estendi-lhe o braço. Ela ergueu o seu rosto e deu-me um beijo fugaz. Em seguida afastou-se e depôs-me na mão algumas folhas dactilografadas. A porta fechou-se. Sentei-me no sofá com as folhas na mão e ouvi o seu
carro arrancar.
Os poemas estavam agrafados, fotocopiados e intitulavam-se ELLLLA. Li alguns. Eram interessantes, cheios de humor e sexualidade, mas mal escritos. Eram assinados por Lydia e as suas três irmãs - todas elas jocosas, corajosas e sexy. Atirei as folhas e abri a minha garrafa de whisky. Lá fora estava escuro. A rádio difundia sobretudo Mozart, Brahms e Beethoven.
No dia seguinte ou pouco depois, recebi pelo correio um poema de Lydia. Era um longo poema e começava assim:
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