Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 185 de 247

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Mulheres

«Oh, não», disse Sara, «tão cedo, não.…

«Oh, não», disse Sara, «tão cedo, não. Nem sequer tive oportunidade de conversar contigo. Gostaria de conversar.»

Olhou para Ron. «Percebes, não percebes, Ron?»

«Com certeza.»

Ele levantou-se e foi para as traseiras da casa.

«Olha lá», disse eu, «não quero criar problemas.»

«Que problemas?»

«Entre ti e o teu amigo.»

«Oh! Não há nada entre nós. Nada de sexo, nada. Ele apenas alugou o quarto de trás.»

«Oh.»

Ouvi o som duma guitarra. Depois uma voz a cantar bastante alto.

«É o Ron», disse Sara.

Ele bramia como um porco. A sua voz era tão má que não havia comentários a fazer.

Ron cantou durante uma hora. Eu e Sara bebemos mais vinho. Ela acendeu algumas velas. «Toma um beedie.»

Experimentei um. Um beedie é um pequeno cigarro castanho da índia. Tem um sabor acre e agradável. Virei-me para a Sara e demos o nosso primeiro beijo. Beijava bem. Uma agradável noite em perspectiva.

A porta de rede abriu-se bruscamente e um homem jovem entrou na sala.

«Bany», disse Sara, «já não recebo mais visitas.»

Bany saiu e a porta bateu. Eu pressentia que ia haver problemas: como um solitário, eu não suportava invasões. Isto não tinha nada a ver com ciúmes, simplesmente não gostava de pessoas, multidões, onde quer que fosse, excepto nas minhas leituras. As pessoas diminuíam-me e deixavam-me sem ar.

Nunca houve humanidade, desde sempre. Esta era a minha divisa. Beijámo-nos outra vez. Tínhamos bebido demasiado. Sara abriu outra garrafa. Ela aguentava muito bem o vinho. Não faço ideia sobre o que conversámos. O que mais me agradava nela era o facto de fazer muito poucas referências sobre a minha escrita.

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