Mulheres

Charles Bukowski · Capítulo 213 de 247

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Mulheres

«Vem cá», disse ela.

Era um quarto pequeno, muito mais parecido com uma alcova. Havia uma cama com os lençóis sujos. A colcha estava no chão. Abri o fecho das calças e tirei-o.

«Vinte dólares», disse ela.

«Põe lá a boca! Chupa-o até à última gota!»

«Vinte dólares», disse ela.

«Põe lá a boca! Chupa-o até à última gota!»

«Vinte dólares.»

«Já sei o preço. Faz por ganhá-lo. Esvazia-me os colhões.»

«.Primeiro, os vinte dólares...»

«Ah, sim? Eu dou-te os vinte, mas como é que sei se vais ou não gritar para chamar os polícias? Como hei-de saber se não aparece aí o teu amigo de dois metros e dez com um chicote?»

«Primeiro, os vinte dólares. Não te preocupes. Eu chupo-te. Chupo-te até à última gota.»

«Não confio em ti, sua puta.»

Fechei a braguilha e pirei-me dali; desci as escadas a correr. Cheguei ao fim, saltei para o Volks e fui para casa.

Comecei a beber. As estrelas não me ajudavam.

O telefone tocou. Era Bobby. «Levaste a íris ao avião?»

«Sim, Bobby, e tenho a agradecer-te o não teres cá vindo, para variar.»

«Olha, Hank, isso passa-se na tua cabeça. És velho e trazes todas essas miúdas para cá e quando um tipo novo se mete com elas ficas nervoso.»

«Confusão... falta de segurança, não é?»

«Pois...»

«OK, Bobby.»

«Em todo o caso, a Valerie pergunta se não queres cá vir beber um copo.»

«Porque não?»

Bobby tinha uma erva má, mesmo muito má. Fumámos.