Mulheres
«Escuta, eu tenho o dinheiro. Só não gosto de pagar.»
Tammie infringia constantemente todas as regras. O seu carro não tinha sido declarado, a licença tinha caducado há muito, e conduzia sem carta. Deixava o carro durante dias e dias em zonas amarelas, vermelhas, brancas, em parques reservados...
Cada vez que a polícia a prendia e ela estava bêbeda, pedrada ou sem o bilhete de identidade, ela conversava com eles e deixavam-na sempre em paz. Rasgava os bilhetes dos parques de estacionamento, quando os tinha.
«Vou procurar o número de telefone do senhorio.» (Ele não vivia no prédio.) «Eles não me põem o eu fora de casa. Tens o número de telefone deles?»
«Não.»
Nesse preciso momento, Irv, dono de um bordel e encarregado do salão de massagens do quarteirão, apareceu. Media um metro e noventa e estava sob o efeito de ATD. Tinha muito melhor cabeça que a maioria das pessoas com que nos cruzamos nos passeios.
Tammie saiu a correr, «Irv, Irv!».
Ele parou e virou-se. Tammie ofegava, «Irv, tens o número do telefone do senhorio?».
«Não, não tenho.»
«Irv, preciso do número do telefone. Dá-me o número e eu faço-te um broche!»
«Não tenho o número.»
Dirigiu-se para a sua porta e meteu a chave na fechadura.
«Anda lá, Irv, faço-te um broche se mo deres!»
«A sério?», perguntou, hesitante, a olhar para ela.
Tammie foi bater a outra porta. Richard abriu-a cautelosamente, ainda com a corrente. Era careca, vivia só, era religioso, tinha cerca de 45 anos e ficava todo o dia em frente à televisão. Era limpo e rosado como uma mulher. Queixava-se constantemente do barulho que se fazia em minha casa - não conseguia dormir, dizia ele. O proprietário aconselhou-o a mudar-se. Ele odiava-me. E agora, uma das minhas mulheres estava à sua porta. Continuou com a corrente na porta.
«O que deseja?», sibilou.
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