Mulheres
Lydia saiu detrás da caravana. Os seus…
Lydia saiu detrás da caravana. Os seus cabelos estavam cobertos de rolos vermelhos. «Anda, citadino. Segue-me até casa.»
«Estou tão contente por te ver, querida, beija-me!»
«Não. Segue-me.»
Lydia pôs-se a correr à minha frente. Foi difícil segui-la.
«Perguntei a estas pessoas se tinham visto por aí um rapaz da cidade», disse ela por cima do ombro. «Disseram que não.»
«Lydia, amo-te.-"
«Anda! És vagaroso!»
«Espera, Lydia, espera!»
Ela saltou por cima do arame farpado. Era demasiado alto para mim. Vi-me enredado no arame. Não me podia mexer. Parecia uma vaca enlaçada. «LYDIA!»
Ela voltou atrás, com os seus rolos vermelhos, e começou a desembaraçar-me do arame. «Segui a tua pista. Encontrei o teu caderno vermelho. Perdeste-te deliberadamente porque estavas bêbedo.»
«Não, perdi-me por ignorância e porque tinha medo. Não sou uma pessoa completa - sou um citadino atrofiado. Mais ou menos um falhado, um merda sem nada para oferecer.»
«Meu Deus», disse ela, «pensas que eu não sabia?»
Libertou-me do último arame. Eu cambaleava atrás dela. Uma vez mais, eu estava com Lydia.
31
Três ou quatro dias antes de partir para Houston, onde ia fazer uma leitura, fui às corridas de cavalos, bebi e parei num bar de Hollywood Boulevard. Entrei em casa às nove ou dez da noite. Enquanto atravessava o quarto para me dirigir à casa-de-banho, tropecei no fio do telefone. Embati no canto da base da cama - uma aresta de metal cortante como uma lâmina. Ao erguer-me apercebi-me de que tinha feito um golpe profundo, mesmo acima do tornozelo. O sangue corria sobre o tapete, deixei atrás de mim um rasto ensanguentado quando fui para a ca- 95