Mulheres
regressámos a casa. Bebemos alguns copos de…
regressámos a casa. Bebemos alguns copos de vinho branco, ela animou-se e começou a pendurar ornamentos de Natal, luzes e fios prateados por todo o lado, inclusive nos meus cabelos.
Eu tinha lido que se suicidavam muito mais pessoas no dia de Natal e no dia seguinte do que em qualquer outra altura. Aparentemente esta festa pouco ou nada tinha a ver com o nascimento de Cristo.
A música no rádio era enjoativa e a televisão era pior, de modo que desligámos ambas as coisas e ela telefonou à mãe, no Maine. Também falei com a minha mãe, que parecia não estar muito mal.
«Primeiro», disse Sara, «pensei em juntar-te com a minha mãe, mas ela é muito mais velha do que tu.»
«Esquece isso.»
«Ela tem pernas bonitas.»
«Esquece.»
«Tens alguma coisa contra as pessoas mais velhas?»
«Sim, contra toda a gente velha, menos eu.»
«Comportas-te como uma estrela de cinema. Tiveste sempre mulheres com 20 ou 30 anos menos do que tu?»
«Quando tinha 20 anos, não.»
«Então está bem. Já tiveste uma mulher mais velha do que tu, quero dizer, viveste com alguma?»
«Sim, quando tinha 25, vivi com uma de 35.»
«E como foi?»
«Foi terrível. Estava apaixonado.»
«O que é que foi terrível?»
«Ela obrigou-me a ir para a faculdade.»
«E isso foi terrível?»
«Não era o género de faculdade em que estás a pensar. A faculdade era ela, e eu, o estudante.»
«O que é que lhe aconteceu?»
«Queimei-a.»
«Com honras? Mataste-a?»
«O álcool é que a matou.»
«Feliz Natal.»
«Igualmente. Fala-me dos teus.»
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